1000 quilômetros de Brasil, 1000 de Uruguai – Terceiro dia


(No artigo anterior, escrevi sobre a torreira de sol que encaramos entre Rivera e Montevidéu: para compensar o esforço, nos aboletamos em um bar do Mercado del Puerto e, mais uma vez, fizemos a festa ao redor de uma parrillada.)

Pelo terceiro dia consecutivo a previsão do tempo acertou em cheio: sol e mais sol. Amanheceu cedo em Montevidéu e, pouco tempo depois do astro-rei, demos as caras na rua – afinal, tínhamos um compromisso inadiável logo cedo: retirar as motos do canto do estacionamento onde ficam as lixeiras, único local disponível na noite de quinta-feira.

Com as motos carregadas, rumamos para o primeiro posto de gasolina da costanera e as abastecemos; dali em diante, fomos em uma tocada sem pressa, aproveitando a brisa e o visual. Não muito mais adiante, paramos para um café da manhã e entramos na ótima Ruta Interbalnearia, por onde fomos até Punta del Este. Na chegada, o visual impressionante fez com que voltássemos ao ritmo lento do início do dia para aproveitar cada minuto daquela paisagem estonteante: enquanto andávamos, víamos Ferraris, Porsches, iates, veleiros e até um navio de cruzeiro atracado ao alcance dos nossos olhos. Punta realmente é uma praia diferenciada.

Depois de visitarmos a conhecida escultura Los Dedos, decidimos imprimir uma velocidade maior na nossa viagem, pois já faziam algumas horas que estávamos motocando e havíamos rodado pouco mais de 100 km. Seguindo os conselhos do GPS, saímos de Punta e nos dirigimos a San Carlos, onde abastecemos as motos e almoçamos no McDonald’s local (um choripán excelente, diga-se de passagem). Fugindo do sol forte do meio-dia, ficamos mais uns minutos aproveitando a sombra das árvores da praça e, depois de equipados (a muito custo, já que o calor era intenso), voltamos a seguir o GPS para encontrarmos Minas. O trecho de 50 km (pela RP12) antes desta cidade parecia suspeito, com a estrada em obras, mas acabou se revelando um dos mais bonitos por onde passamos: subindo e descendo entre os morros da região, aproveitamos as curvas e a paisagem que incluía fazendas, arroios e até aerogeradores.

Entre Minas e Treintra y Tres, conversamos com outros motociclistas nos postos de gasolina onde paramos, tiramos fotos, tomamos litros de água para aliviar o calor e fomos atacados pela policia caminera; logo em seguida, encontramos o único trecho ruim de estrada em toda a viagem: por estar em construção, um segmento da RP18 fez com que diminuíssemos bastante o ritmo da tocada, pois as motos dançavam sobre a pista. De volta ao asfalto, aceleramos para completar os poucos quilômetros que nos separavam de Rio Branco.

Nosso companheiro esquecido (o do passaporte) nos pregou mais uma peça: responsável pela reserva da hospedagem em Jaguarão, ele fez tudo certo – só esqueceu o nome e o endereço do lugar. Depois de algumas ligações, encontramos o rumo e não demorou muito para nos espalharmos na sacada do apartamento com as geladas na mão para o tradicional relaxamento do fim do dia. Depois de um banho para amenizar o calor, caminhamos pelo 10º Motofest (que vou detalhar em outro artigo) e jantamos no restaurante do hotel Sinuelo. Como o cansaço era grande (desde a saída do hotel em Montevidéu, foram mais de 7 horas e meia de pilotagem até a chegada em Jaguarão), voltamos ao apartamento já com a cabeça nos 400 km que nos separavam de casa.

Rota do terceiro dia

Saída do hotel em Montevidéu

Punta Ballena

Punta del Este

Punta del Este

Dados do GPS do terceiro dia de viagem

6 Comentários

Caro Piréx.
Não me atrevo a perguntar a origem do apelido, mas vou presumir que seja devido à alta resistência térmica do vidro de mesmo nome.
Gostei bastante do seu relato sobre esta viagem, apenas não consegui ver as paradas que fizeram durante os dias. Poderias me dizer quantos quilômetros vocês percorrem entre as paradas ? quanto tempo costumam parar ?
No início de 2008, saí de Cachoeirinha, onde moro, e fui até Punta Del Este, de twister. A viagem estava boa até o posto das cucas, onde encontrei uma super nuvem de chuva que me perseguiu até o Chuí. Nos demais dias, foi tranquilo.
Agora que troquei a twister por uma CB 500 quero me aventurar até Montevidéu.
De repente nos encontramos por esse mundo véio sem fronteiras.

Grande abraço.

Meu amigo Pedro, a origem do apelido é bem menos glamourosa que a tua suposição: meus amigos folgados corromperam meu sobrenome de Pires para Piréx e acabou pegando.

Durante o dia, parávamos (não mais que 15 minutos) a cada 150 km por conta da autonomia das Shadow 600: contando com a reserva, elas podem chegar a rodar 200 km sem precisar abastecer – mas como o rendimento das gasolinas era imprevisível, mantivemos uma margem de segurança. Na minha opinião, rodar mais de 2h sem paradas torna a viagem cansativa demais: parar para espichar as pernas (e tomar um café, falar com as pessoas da região, fotografar, etc) é imprescindível.

Interessante comentares da tua viagem com a Twister: algumas pessoas imaginam que é necessário uma moto de grande cilindrada para percorrer distâncias maiores e isso não é verdade. Com a organização adequada, não importa se estamos a bordo de uma 125 cc ou de uma 1500 cc.

Grande abraço e nos encontramos nas estradas!

Caro Pirex: disculpa meu portugues; sou argentino de Mar del Plata(400 kms ao sur de Buenos Aires) He lido seu interesante relato e como eu vou facer o treyeto ate Rio do Janeiro a partir do dia 12 de este mes (si.o sabado que vein) cruzando a Colonia (Uruguai) y de lá ate Jaguarão por 33 e depois a Porto Alegre.- Poderias me dizer como estão as rutas nessos tramos e a qualidade do combustivel, porque tenho uma Honda Transalp 700 (2008) a “inyección” (injectión? – não se como se escrevi) e a combustion e computarizada.- De ali a mais ja conheço, ja fui duas vezzes por Uruguaiana em uma Yamaha super Ténere 750.- Um prezer ter contatado e por ahí a gente se ve.- Grande abraço.-

Osvaldo, o único recurso que utilizo para tentar adquirir gasolina de boa qualidade é comprar em postos de bandeira conhecida (Ipiranga, BR, etc) – mas em alguns casos nem isso resolve: em Jaguarão abastecemos em um posto que derrubou quase pela metade a autonomia das motos (a Honda recomenda que não utilizemos gasolina aditivada em postos nos quais não confiamos porque o aditivo pode ser de má qualidade).

No site da ANP (Agência Nacional de Petróleo: http://www.anp.gov.br/petro/mapa_fiscaliza.asp) podes ter acesso à uma lista de postos de gasolina que foram interditados por venderem gasolina de má qualidade.

Espero que esta mensagem chegue a tempo (eu estava viajando quando a enviaste) e faças uma excelente viagem em nosso país. Em janeiro devo rodar pelas estradas da Argentina.

Forte abraço!

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