Rio Pardo e Santa Cruz do Sul, destinos imperdíveis


Rota: Porto Alegre / Pantano Grande / Rio Pardo / Santa Cruz do Sul / Canoas / Porto Alegre

Distância percorrida: 360 km

Já fazia um bom tempo que eu passava pelo recentemente concluído trevo de acesso da BR-290 à BR-471 imaginando quando poderia rodar naquela região. Na última terça-feira, feriado de Tiradentes, surgiu a oportunidade e fomos aproveitar o dia de sol motocando por aquelas bandas. A idéia inicial era almoçar em Santa Cruz do Sul; no caminho até lá, entretanto, está a histórica Rio Pardo, onde paramos para abastecer as motos, ter a mão lida por uma cigana e registrar a cidade com nossas câmeras.

Em todos os segmentos de estrada que passamos (de BR-290, BR-471, RS-287, BR-386 e BR-116) o asfalto está muito bom, apesar das praças de pedágio em alguns deles; a boa notícia é que nesta rota motos pagam somente na praça da BR-290 em Eldorado do Sul.

Primeira parada: Rio Pardo

Município com participação destacada na Revolução Farroupilha, Rio Pardo está localizado às margens do Rio Jacuí e possui muitos bens históricos, alguns tombados – como é o caso da Rua da Ladeira, primeira rua calçada do Rio Grande do Sul – e outros não.

Apesar de ter sido elevada à categoria de cidade apenas em 1846, Rio Pardo começou a ser colonizada em 1750 pelos portugueses: segundo o tratado de Tordesilhas, o Rio Grande do Sul estava nos domínios da Espanha, mas não houve inicialmente grande interesse por parte dos espanhóis; quando eles resolveram tomar a região, foram detidos pelos Dragões da Fortaleza Jesus Maria José de Rio Pardo (por nunca ter sido rendida, essa fortaleza recebeu o nome de Tranqueira Invicta).

Apesar de hoje ocupar uma área de pouco mais de 2 mil km2, Rio Pardo já teve mais de 150 mil km2 quando a Capitania do Rio Grande de São Pedro foi dividida para a criação das primeiras vilas do estado (as outras, menores, eram Porto Alegre, Rio Grande e Santo Antônio da Patrulha).

Mais informações:

Centro Regional de Cultura de Rio Pardo

Detalhe da porta do Centro Regional de Cultura de Rio Pardo

Igreja em Rio Pardo

Torre de Igreja em Rio Pardo

Destino final: Santa Cruz do Sul

Um dos principais núcleos de colonização alemã do Rio Grande do Sul, Santa Cruz do Sul já fez parte do município de Rio Pardo (de quem emancipou-se em 1877) e hoje é uma cidade com mais de 120 mil habitantes conhecida principalmente pela cultura do fumo e por sediar a Oktoberfest.

Chegamos por volta do meio-dia e fomos direto à praça central, local onde fica um restaurante muito bom: essa foi a segunda vez que estive em Santa Cruz, mas na primeira quase não pude andar pela cidade. Sabendo que a colonização deixou raízes também na alimentação, um dos participantes da motocada (que não eu) chegou ao restaurante já perguntando pelo joelho de porco (ou Eisbein), prato tradicional da culinária alemã; infelizmente – para ele – o acepipe não estava disponível.

Almoçados, resolvemos baixar a comida com uma caminhada pela praça e ruas adjacentes: minha avaliação não serve como base (por ser um feriado), mas imagino que as amplas ruas e avenidas colaborem para que o trânsito seja bastante tranquilo sempre. Ao longo delas, construções visivelmente influenciadas pela cultura germânica – algumas delas reformadas (para abrigar lojas) mas preservadas.

Mais informações:

Monumento na praça de Santa Cruz do Sul

Igreja em Santa Cruz do Sul

Monumento em Santa Cruz do Sul

Estação Santa Cruz

Açoriana Mostardas


Rota: Porto Alegre / Viamão / Capivari do Sul / Mostardas / Capivari do Sul / Viamão / Porto Alegre

Distância percorrida: 460 km

A cidade de Mostardas, onde residi por um par de anos no início da década de 1980, é um dos locais do Rio Grande do Sul colonizados por casais vindos do Arquipélago dos Açores que ainda preserva a herança (na gastronomia e nas edificações, para citar dois exemplos importantes) açoriana.

Situada entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico, a Freguesia de Mostardas (como era chamada no século XVIII) está em uma área de fauna e flora exuberantes (a quarta foto foi capturada nos fundos de uma das casas onde morei), preservadas, entre outros motivos, pelo difícil acesso à região: batizada de “Estrada do Inferno”, a RSC-101 fez com que os usuários do trecho compreendido entre os municípios de Palmares do Sul e Mostardas demorassem comumente mais de 10h para vencer seus pouco mais de 100 km.

Com a chegada do asfalto à cidade, muitos problemas foram resolvidos (como o escoamento da produção agrícola e a remoção por via terrestre a qualquer momento de doentes); atualmente, apesar de alguns trechos (apenas 4 ou 5 de aproximadamente 500 metros cada um) estarem sendo reconstruídos, a viagem é tranquila – mas é necessário ficar de olho nos buracos que ainda não foram cobertos. Os muitos anos de uso, com trânsito pesado e aparentemente sem a manutenção adequada, cobraram seu preço.

Depois de almoçar muitíssimo bem, dei uma caminhada pela cidade, revi os lugares da minha infância e conversei com a gurizada que cercava a moto quando voltei; em muitos aspectos, me vi neles. Conversei com amigos (que me informaram das ótimas condições da RSC-101 dali para frente – até Tavares e São José do Norte, de onde é possível atravessar de balsa para Rio Grande) e, como a tarde ainda estava pela metade, resolvi tentar ir até o Farol da Solidão. Eu sabia que a estrada era de chão batido, mas não de areia: como a CB não se dá bem com estradas deste tipo, por segurança, deixei as fotos do farol para outro dia.

Mais informações:

Trecho em reforma da RSC-101

Igreja de Mostardas

Rua XV de Novembro

 

Margem da RSC-101

Estrada para a Praia da Solidão

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