Serra gaúcha: curvas, chão batido e sol na moleira


Rota: Porto Alegre / Nova Petrópolis / Gramado / Taquara / Novo Hamburgo / Porto Alegre

Distância percorrida: 280 km

Depois de várias semanas escondido, o astro rei resolveu dar as caras aqui no Rio Grande do Sul: desde o último domingo não chove por estas bandas e na tarde de ontem resolvemos colocar as crianças na estrada para o que deverá ser a última motocada de 2009.

Já na saída, o calor me fez lembrar que estamos a dois dias do verão e que os equipamentos imprescindíveis (botas, luvas e jaqueta) ficam cada vez mais difíceis de serem usados; com ou sem eles, é preciso que haja atenção quanto à hidratação e o uso de protetor solar é recomendável. Se na BR-116 entre Porto Alegre e Novo Hamburgo – a partir de onde a natureza substitui a densa urbanização da região metropolitana da capital – o calor é intenso, no segmento posterior o ar-condicionado natural mantém a temperatura em níveis aceitáveis (o termômetro da moto rondou os 35 graus durante a maior parte tarde).

Para minha surpresa, a BR-116 em Picada Café (RS) ainda está interrompida em função das últimas chuvas e utilizamos um trecho de chão batido com 1,5 km de extensão para contornar o desmoronamento. Quem deu a dica do desvio foi o frentista de um posto de gasolina, que completou a frase com um “cuidado, tem caído muita moto”. Quando saí do posto, não acreditei que um trecho tão pequeno poderia oferecer algum risco, mas pode: as descidas em curva são íngremes e a inércia desconhece freios a disco, ABS, CBS ou qualquer outra traquitana tecnológica. É mandatório rodar devagar, quase parando.

Depois de algumas dezenas de quilômetros em transe, rodando devagar e aproveitando o visual da BR-116 e da RS-235, chegamos a Gramado: logo no pórtico de acesso, as ruas lotadas me lembraram que esta época do ano é altíssima temporada na região, o que sempre sugere cuidado redobrado. Depois de uma garrafa de água gelada, voltei ao transe na bela descida da RS-115 e pouco tempo depois já estávamos de volta à calorenta BR-116 para os quilômetros finais antes de casa.

Desvio em Picada Café

V-Strom voando baixo

RS-115 entre Gramado e Três Coroas - Foto 1

RS-115 entre Gramado e Três Coroas - Foto 2

Impossível atingir o limite de velocidade

Quando a esmola é demais…


Rota: Porto Alegre / Gravataí / Santo Antônio da Patrulha / Osório / Porto Alegre

Distância percorrida: 230 km

Quando a esmola é demais, o santo desconfia.

Pois eu, junto com o santo, deveria ter desconfiado que São Pedro apresentaria suas armas – o que tem sido recorrente nos últimos meses aqui no Rio Grande do Sul – nos meus dois dias de folga para mostrar quem é que manda: ontem eu estava mais animado e encarei a chuva, mas hoje cancelei a motocada (a bem da verdade, na volta de Florianópolis, mês passado, gastei o que ainda restava da minha cota de chuva/moto/BR-101 para o próximo ano).

Antes de decidir ficar em casa, resolvi ir até Osório (RS) avaliar a estrada e tentar adivinhar se as próximas horas seriam de pouca ou muita chuva; como tive a impressão que a chuva piorava quanto mais para o norte eu rodava (e a pretensão era ir até Terra de Areia, subir a Rota do Sol e voltar pela BR-116), desisti e dei meia-volta – mas não sem alguns registros fotográficos da BR-290 e do Parque Eólico de Osório.

Se a coisa continuar assim, vou precisar de um jet ski.

BR-290 em Glorinha (RS) - Foto 1

BR-290 em Glorinha (RS) - Foto 2

BR-290 em Santo Antônio da Patrulha (RS)

Viaduto da RST-101 sobre a BR-290 em Osório (RS)

Parque eólico de Osório (RS) - Foto 1

Parque eólico de Osório (RS) - Foto 2

Pelas areias da Interpraias


Rota: Porto Alegre / Capão da Canoa / Tramandaí / Balneário Pinhal / Viamão / Porto Alegre

Distância percorrida: 330 km

Dia desses, um letrado – na vida e nos bancos escolares – amigo me esclareceu sobre os resgates afetivos tomando como exemplo os lugares que vivi aos quais volto com frequência (e eventualmente escrevo sobre isso aqui no blog). Na tarde chuvosa de hoje, após um almoço em Capão da Canoa (RS), me veio à mente essa conversa enquanto percorria a Interpraias, estrada por onde passei inúmeras vezes com minha família na década de 1970.

Se no passado ela era a única forma de transitar entre as praias do Litoral Norte do Rio Grande do Sul, hoje em dia não só perdeu a preferência dos usuários para a RS-389 (Estrada do Mar) como também passou a ser utilizada quase que exclusivamente por quem não tem outra alternativa: como o trânsito de ônibus e caminhões é proibido na Estrada do Mar, não resta outra alternativa senão a velha Interpraias de guerra, abandonada à própria sorte em alguns trechos (como os que aparecem nas duas primeiras fotos).

Nos documentos do governo, a Interpraias se chama RS-786 e existe somente entre Quintão e Tramandaí; na vida real, entretanto, ela avança desde o Balneário Dunas Altas (em Palmares do Sul), passa pelas áreas centrais de vários municípios – entre eles, Cidreira, Tramandaí e Capão da Canoa – e termina em Torres.

Em um futuro próximo, a estrada que mistura asfalto, barro, dunas, avenidas e toda sorte de possibilidades poderá mudar de ares: aprovada como uma das prioridades na Consulta Popular do Governo do RS em 2003, a Avenida do Litoral Norte deverá resgatar as funções da Interpraias e facilitar a vida dos pouco menos de 200 mil habitantes (segundo censo do IBGE de 2000) que residem nos municípios diretamente atingidos pela obra e que chegam a 2 milhões nos meses de veraneio. É esperar para ver.

Av. Beira-Mar entre Atlântida Sul e Imara (RS) - Foto 1

Av. Beira-Mar entre Atlântida Sul e Imara (RS) - Foto 2

Barra do Rio Tramandaí em Imbé (RS)

Petroleiros em Tramandaí (RS)

Passarela sobre as dunas em Tramandaí (RS)

Túnel Verde em Balneário Pinhal (RS)

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