Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai – 6º dia


Rota: Chuí / Pelotas / Porto Alegre

Distância percorrida: 522 km

O que antes parecia distante chegou mais rápido do que poderíamos imaginar: último dia de viagem, último trecho antes de chegar em casa… Mas ainda tínhamos mais de 500 quilômetros de diversão com nossas companheiras de estrada – e logo no começo deles está o Banhado do Taim. Logo depois do café no hotel, partimos para cumprir a última etapa da viagem.

Por pura sorte, resolvemos viajar em um período do ano em que o Taim está esplendoroso, com o verde dos campos contrastando com o azul da água. As imagens dão uma boa ideia do que se passa lá, mas parar as motos no meio daquele santuário ecológico e sentir o vento no rosto – uma ventania, a bem da verdade – é uma experiência que recomendo a todos.

Do banhado em diante rodamos por estradas que frequentamos e estamos habituados; por conta disso, paramos poucas vezes (duas para abastecimento e uma para o almoço) e cruzamos a BR-116 em pouco tempo, o que fez com que chegássemos em Porto Alegre no meio da tarde de domingo: era o fim da empreitada.

*****

Foram seis dias que passaram voando. Nada mais justo, já que os pouco mais de 2.600 quilômetros foram, seguindo à risca o mote deste blog, de moto na estrada, cerveja gelada e – muitas! – considerações algo filosóficas. Resta agradecer sinceramente aos meus companheiros de estrada pela parceria ao longo desta espetacular motocada. Muchas gracias, paisanos!

Dados da viagem

  • Distância total percorrida: 2611 km
  • Gasto com combustível: R$ 348
  • Gasto com alimentação: R$ 207
  • Gasto com hospedagem: R$ 390
  • Gasto com Buquebus: R$ 212
  • Média de consumo da CB1300SF: 18,25 km/l

Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai – 5º dia


Rota: Montevideo / Punta del Este / Jose Ignacio / Rocha / Castillos / Chuy

Distância percorrida: 361 km

O amanhecer frio em Montevideo, especialmente no centro da cidade onde o sol demora a bater, me fez lembrar que essa é a temperatura ideal para motocar – nem muito frio a ponto de congelar os dedos nem tão quente como têm sido os últimos meses no Rio Grande do Sul.

Após os procedimentos matinais, saímos do centro em direção às ramblas para, através delas, sair de Montevideo em direção à Ruta Interbalnearia; essa deve ter sido a menor média horária de toda a viagem, mas cada quilômetro da costanera vale a pena. Apesar da grande quantidade de sinaleiras, o trânsito é tranquilo e quando colocamos as rodas na Interbalnearia ficamos quase sozinhos na estrada até Punta del Este, nosso próximo destino (na passagem pela região do aeroporto de Punta, um avião pousando passou raspando sobre nossos capacetes num sincronismo impensável).

Apesar de ter passado por este trecho do Uruguai no ano passado, a chegada à região de Punta Ballenas/Punta del Este é sempre impressionante: desta vez saímos da Ruta Interbalnearia para chegar à Casa del Pueblo e ao Mirador Punta Ballena, local com uma vista impressionante do Rio de la Plata. Dali, passamos rapidamente por Punta e chegamos à Barra de Maldonado, onde paramos na entrada da ponte que leva o nome do seu designer, Leonel Viera (mas é popularmente conhecida como ponte ondulada), para os devidos registros fotográficos.

Depois da Barra de Maldonado, seguimos pela Ruta 10 para atravessar de balsa a Laguna Garzon e, com mais 30 quilômetros de R10, chegar à Ruta Nacional 9 que nos levaria até Chuy. A surpresa, entretanto, ficou por conta do piso da R10 após a passagem da balsa: chão batido. A julgar pela comemoração quando encontramos a asfaltada RN9, imagino que muitos impropérios tenham sido lançados contra a minha pessoa (já que eu era o piloto do GPS) dentro dos capacetes dos meus companheiros de viagem.

Todos felizes por deixarmos para trás o complicado piso da R10, seguimos pela RN9 até Chuy, onde as compras nos freeshops nos esperavam; regalos adquiridos, encostamos as carcaças cansadas em um bar da Av. Brasil (que fica do lado Uruguaio: do lado brasileiro ela se chama Av. Uruguai) e nos atracamos em alguns chivitos regados a Zillertal. A longa caminhada até o hotel ajudou na digestão e acabou com as minhas últimas energias – afinal, rodamos 2089 quilômetros até aqui.

Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai – 4º dia


Rota: Colonia del Sacramento / Montevideo

Distância percorrida: 181 km

Apesar de presenteados com uma bela manhã na sexta-feira, uma ponta de tristeza estampava os rostos de todos já que estávamos além da metade da viagem – foram rodados 1547 quilômetros desde Porto Alegre (RS) até Colonia del Sacramento (UY) – e agora estávamos oficialmente voltando para casa; ainda teríamos mais de 1000 quilômetros de diversão antes de abandonarmos nossas inseparáveis companheiras na garagem e isso bastou para animar a todos.

Na programação do dia, apenas os 181 quilômetros da duplicada AU1 e um dia inteiro para aproveitar: se por um lado serviu para descansar os esqueletos, por outro permitiu que caminhássemos calmamente entre o casario histórico e as fortificações de Colonia. Muitas fotos e estripulias depois, lá pelo meio da manhã, montamos nos cavalos de metal e nos mandamos rumo leste – com o sol nas ventas – em direção à Montevideo, onde chegamos em pouco tempo.

Aviso aos navegantes: os parágrafos abaixo são totalmente parciais

Eu sou há muito um fã declarado de Montevideo – das ramblas, da tranquilidade, da arborização, da ciudad vieja, do povo, etc etc – e o que escrevo a respeito dessa cidade (que visito pela terceira vez) não é nem um pouco imparcial; como o aviso foi dado, fico à vontade para elogiar um pouco mais a antiga capital da Província Cisplatina do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.

A entrada na capital da República Oriental do Uruguai é tranquila e nem de longe lembra o acesso à maior cidade de um país; sempre em frente, com a companhia do Rio da Prata, chegamos ao Mercado del Puerto: ao parar na sinaleira, abri o capacete e o inconfundível cheiro de parrillada me desnorteou e dali até o hotel segui no piloto automático, já que estava hipnotizado por aquele aroma.

Tenho poucas lembranças da chegada no hotel, do check-in e de ter deixado a moto estacionada na garagem: quando botei os pés na porta do Mercado, saí do transe e caminhei, junto com os demais companheiros de estrada, pisando nas pedras seculares, analisando restaurantes, bares, lojas e pessoas até que escolhemos onde comer. Felicidade tem nome, paisano.

De volta com a nossa programação normal

À meia-tarde, caminhamos pelas ramblas e pelo centro da cidade misturados à correria de um dia de semana na capital dos uruguaios (não fosse pelas máquinas fotográficas em punho, talvez passássemos por um deles). No final da tarde, gelamos as gargantas com um par ou dois de Patricias no bar que fica defronte ao hotel e à noite caminhamos pela Rambla Republica del Peru, em Pocitos, e encerramos com chave de ouro a passagem por Montevideo em um restaurante de Punta Carretas.

Voltaremos, Montevideo, voltaremos.

    REDES:  

  • rss
  • youtube
  •  
  • PESQUISAR NOS ARQUIVOS: