No topo da serra, o Ninho das Águias


Rota: Porto Alegre / Nova Santa Rita / São José do Hortêncio / Nova Petrópolis / Portão / Porto Alegre

Distância percorrida: 250 km

Duas conversas, uma no fórum Tornadeiros e outra no M@D, chamaram a minha atenção nas últimas semanas para um lugar que eu, apesar de transitar pela região com frequência, sequer havia ouvido falar: o Ninho das Águias, onde há um clube de voo livre e uma bela vista do Vale do Caí.

Com a ajuda do sabe-tudo Google, localizei na serra gaúcha o morro que fica em Fazenda Pirajá (no município de Nova Petrópolis) e comecei a rascunhar as rotas prováveis: melhor ir pela BR-116 ou pela RS-122? Olhando com um pouco mais de calma os mapas, percebi que o mais divertido – e não o mais rápido ou o mais sensato – seria percorrer as vicinais do interior até lá e subir por uma trilha que dá acesso ao Ninho das Águias.

Apenas os 30 primeiros quilômetros até Nova Santa Rita foram percorridos no asfalto das BRs 116 e 386; dali em diante foram outros 90 km passando por Capela de Santana, Campestre, São José do Hortêncio, Linha Nova, Linha Temerária e finalmente o objetivo da motocada.

Duas observações importantes:

  1. O acesso leste do Ninho das Águias é uma estrada de chão batido em boas condições que pode ser vencida por quase qualquer tipo de motocicleta; o oeste, por outro lado, é uma trilha 4×4 (ou pelo menos é isso que o GPS diz: custo a imaginar como um veículo pode subir por ali) que em alguns trechos é íngreme e instável – por conta das pedras soltas da pista – a ponto de tornar a parada impossível: quando tentei, para fotografar, a moto simplesmente descia com ambos os freios acionados.
  2. Como fui até a Tenda do Umbú para almoçar, percorri um trecho cheio de curvas da BR-116 em um horário de pouco movimento, o que me permitiu avaliar o comportamento da Honda Tornado nesse tipo de estrada e resumir em um único comentário: ela faz curvas como se estivesse andando em trilhos – e eu já passei por estes mesmos lugares de Shadow 600, Hornet, CB1300 e, mais recentemente, de Fat Boy. Ela não é uma supersport, naturalmente, mas me surpreendeu muito nesse aspecto.

Tornado de sapato novo


Já fazia um bom tempo que eu vinha observando a roda traseira da Tornado perdendo a tração em algumas situações e no final de semana passado, durante a motocada pela Barrocada (onde encontramos trechos com muita areia solta), final e tardiamente decidi que o pneu traseiro deveria ser substituído.

Antes de bater o martelo, saí pesquisando as alternativas possíveis e descobri que são muitas – Levorin, Michelin, Pirelli, Rinaldi, Mitas, Magion, Bridgestone -, bem como os preços praticados (entre R$ 130 e R$ 300). Para ajudar na decisão, li as opiniões dos proprietários e, provavelmente por conta do uso e do custo/benefício, encontrei opiniões divergentes, o que acabou por me deixar mais indeciso ainda.

Na minha pesquisa, considerei apenas os pneus de uso misto: como costumo utilizar a Tornado nas estradas de chão batido, o pneu de rua seria um problema principalmente na areia solta e o com cravos, por outro lado, não seria adequado para o uso urbano e nas estradas pavimentadas que eventualmente percorro.

Por fim, depois da avalanche de informações, acabei escolhendo o Metzeler Enduro 3, pneu que equipava originalmente a Honda Tornado e me pareceu bastante bom, apesar de eu tê-lo utilizado somente no fim da vida (a duração foi razoável: 10 mil quilômetros). O valor não foi dos mais baratos – R$ 309, instalado na concessionária -, mas com um pneu liso a brincadeira no chão batido fica menos divertida.

Três Tornados na Barrocada


Rota: Porto Alegre / Águas Claras / Barrocadas / Santo Antônio da Patrulha / Porto Alegre

Distância percorrida: 230 km

Sexta-feira é dia de acompanhar a previsão do tempo, ainda mais quando há uma motocada agendada para o final de semana: no final da tarde do dia 8, até granizo caiu em Porto Alegre (RS), o que me deixou com um pé atrás (chuva tudo bem, mas pedradas na cabeça?). O objetivo de sábado era sair pela zona sul da capital dos gaúchos, seguir pelas vicinais até a RS-040, rodar na estrada Capivari do Sul/Barrocadas (ou “na Barrocada”, como se diz na região: Barrocadas é um distrito de Capivari do Sul) e voltar pela BR-290, num percurso de aproximadamente 220 km.

Quando cheguei no ponto de partida, já me esperavam dois amigos com as suas Tornados prontas para a estrada; depois de um pouco de papo, apontamos as motos para a zona sul de Porto Alegre e não demorou para que chegássemos na Estrada da Varzinha, na Vila de Itapuã (onde fica o Parque Estadual de Itapuã, em Viamão), onde aconteceu o único incidente da tarde: um parafuso da carenagem da minha moto caiu, mas o Ribas, que enxerga melhor do que eu, conseguiu achá-lo no meio do cascalho da estrada.

Atravessando os morros da região, passamos pela Praia da Varzinha (na Lagoa dos Patos) e chegamos ao entroncamento da Estrada da Pimenta/Estrada da Brahma (há uma fábrica da AMBEV em Viamão), onde paramos para descansar à sombra de uma figueira e derrubar uma perna de salame no bar que leva o nome da árvore. Dali até a RS-040, pela Estrada da Faxina, foram poucos quilômetros mais e não chegamos a rodar nem 1 km no asfalto da Rodovia Tapir Rocha: logo voltamos ao chão batido, em direção a Barrocadas, para mais um trecho da mais pura diversão.

A ideia original era percorrer a Estrada das Barrocadas desde Capivari do Sul, mas o atalho – que podemos chamar de vicinal entre as vicinais – valeu a pena: pelo caminho, chuva, barro, pedras soltas, muita (muita!) areia, colheitadeiras fechando a estrada, gado sendo movimentado, cavalarianos e até grama cobrindo a estrada (em um trecho que me fez pensar duas vezes se o rumo era realmente aquele); para fechar o dia com chave de ouro, um sol entre nuvens se apresentou em Santo Antônio da Patrulha e criou um cenário de cinema. Dali para casa foram cerca de 75 km de asfalto que serviram para eu descobrir um defeito na quase perfeita Tornado: o farol ilumina pouco mais que uma vela, tornando a pilotagem noturna impraticável mesmo com o uso da luz alta.

Obrigado pela companhia e até a próxima, tornadeiros!

    REDES:  

  • rss
  • youtube
  •  
  • PESQUISAR NOS ARQUIVOS: