A Lagoa dos Barros e suas histórias


Principal ligação dos moradores de Porto Alegre e região metropolitana com as praias do litoral norte do Rio Grande do Sul, a BR-290 (que se chama Free-way neste trecho) percorre a margem norte da Lagoa dos Barros pouco antes de Osório, município de 40 mil habitantes que recebeu em 2006, lado a lado com a lagoa, o primeiro parque eólico do estado.

Cercada de histórias – sobre ninfas, lobisomens, uma cidade submersa e um redemoinho que suga os pescadores -, a lagoa atravessa gerações cada vez mais viva no imaginário popular. Nenhuma dessas histórias, entretanto, é mais conhecida que a da noiva de branco:

Na década de 1940, reza a lenda, uma jovem recém-casada foi morta e jogada na Lagoa dos Barros, onde, durante a noite, aparece dançando sobre as águas ou pedindo carona aos motoristas que passam pelas estradas da região com seu vestido de noiva.

Além de pródiga em histórias, a Lagoa dos Barros é uma velha conhecida dos praticantes de esportes aquáticos e serve como fonte para irrigação das plantações ao seu redor: a partir da RSC-101, próximo da localidade de Passinhos (em Osório), é possível acessar a Estrada Julio Brunelli e percorrer seus 16 km até a RS-030.

Apesar da ausência de pavimentação, não há trechos problemáticos e, entre costeletas e um pouco de areia solta, a diversão é garantida. Se o amigo leitor escolher passar por lá à noite, talvez a diversão seja maior ainda. Ou não.

BMW F 800 GS: revisão dos rolamentos – Parte 2


Demorou, mas finalmente restou desocupada uma noite durante essa semana e pude retirar a roda dianteira da suspensão para avaliar a situação dos rolamentos (conforme eu havia previsto na parte 1 deste artigo). Ao contrário do que eu imaginava, o procedimento é bastante simples e pode ser executado em pouquíssimo tempo.

Antes de mais nada, a lista de ferramentas necessárias:

  • Macaco veicular
  • Marreta de borracha
  • Kit de chaves torx
  • Chave catraca 17 mm
  • Alicate
  • Extrator caseiro do protetor de rolamento

Extrator caseiro do protetor de rolamento? E isso é ferramenta?

Pois é, talvez não seja. A verdade é que precisei de um e sem ele não teria conseguido fazer o serviço, de forma que ele precisa ser mencionado entre as ferramentas necessárias ao lado do macaco veicular, outra não-ferramenta que resolveu o problema número um dessa manutenção: como erguer a roda dianteira? Considerei outras alternativas, como abaixar a traseira ou erguer pelo garfo ou ainda pelo guidão, mas todas me pareceram piores; com uma proteção de borracha para evitar um escorregão, bastaram algumas poucas voltas (depois de tocar no protetor do cárter) e pouco esforço para o macaco tirar a roda dianteira do chão.

A maior das vantagens do uso do macaco é poder ajustar a altura a todo momento, deixando a roda mais perto do chão ou menos, de acordo com a necessidade: na hora de retirar a roda do meio do garfo, com o eixo fora do lugar, é bom ter uma certa distância entre o pneu e o chão – mas para encaixar o eixo novamente no lugar, basta ajustar a altura do macaco para se tornar desnecessário o pé debaixo do pneu (como fiz na hora de retirar e recolocar a roda traseira).

Macaco do carro tem nova função

Como o espaço é pequeno em comparação com a suspensão traseira, decidi não correr riscos e afastei o sensor do ABS antes de mais nada (ele é preso por apenas um parafuso torx e não precisa ser retirado, apenas afastado). Para tirar o eixo da roda dianteira, afrouxei o parafuso 17 mm que fica do lado esquerdo sem retirá-lo completamente (para que ele próprio possa ser usado para empurrar o eixo para fora com a marreta de borracha), depois os parafusos torx próximos a ele, os parafusos torx do outro lado e o eixo estava solto. Depois de retirado o eixo, basta puxar a roda para que os discos de freio desencaixem das pinças: há quem sugira retirar as pinças (são 2 parafusos torx em cada uma delas), mas isso não é necessário por que elas podem ser ligeiramente afastadas para que o pneu saia.

Velho lembrete de sempre: nada de tocar no manete do freio para evitar que as pastilhas saiam do lugar. Apenas com o tira-e-bota da roda já é possível que elas se movimentem e pode ser necessário separá-las com uma chave de fenda para que os discos voltem aos seus lugares com facilidade. Se uma delas cair, é só encaixá-la novamente na pinça.

Com a roda fora do lugar, finalmente chegou o momento de avaliar os rolamentos. E quem disse que eu conseguia tirar o protetor do rolamento com as mãos? Pensa daqui, revira as ferramentas dali e quem acabou sofrendo o pênalti foi uma chave antiga: depois de ter a ponta entortada por um alicate, ela se transformou no meu extrator caseiro do protetor de rolamento (duas dela poderiam fazer força de forma mais distribuída no protetor, mas não foi preciso).

Extrator caseiro do protetor do rolamento

Com o rolamento à vista, foi fácil perceber que os sinais de oxidação apresentados pelos traseiros não estão aparentes nos dianteiros; a rolagem, por outro lado, parece mais pesada e é possível sentir ao girar o rolamento com os dedos as esferas fazendo um croc-croc esquisito. Assim como os traseiros, que entraram para a lista das próximas substituições, os rolamentos dianteiros também serão trocados em breve.

Encerrada a avaliação, bastou executar os passos do procedimento de desmontagem ao contrário (terminando pelo sensor do ABS) e fazer alguns testes com a moto parada para que ela estivesse pronta para o dia seguinte.

(N. do E.: um vídeo sobre manutenção de motocicletas publicado no canal Awesome Players do YouTube faz um comentário curioso: “cuidado ao executar este procedimento, coisas ruins podem acontecer”. Pode parecer exagerado, mas é sempre bom lembrar que executar uma manutenção na moto exige conhecimento e cautela. Saber executar os procedimentos básicos de manutenção pode significar a solução de um problema enorme em uma viagem, mas carrega consigo uma responsabilidade igualmente grande.)

Surpresa no final do dia: farol queimado


Mais um final de expediente se apresenta e executo a rotina de sempre: desligo o computador, coloco as tralhas – carteira, celular, crachá, etc – na mochila, pego o capacete e desço para o estacionamento, onde a moto me espera para mais uma breve sessão de terapia até minha casa.

Tudo certo, tudo sob controle, até virar a chave no contato: além do sinal de problemas (o triângulo amarelo à esquerda do velocímetro), a quilometragem percorrida desaparece para dar lugar a um LAMP em letras maiúsculas no painel.

Anoiteceu e o farol queimou? Danou-se.

Como a luz de parada continuava funcionando, o jeito foi rodar para casa apenas com ela ligada e eventualmente o farol alto – o que, naturalmente, incomodava os demais condutores. Tudo errado: usando a luz de parada para rodar, farol alto no trânsito urbano… Mas as outras alternativas eram piores. Mea maxima culpa.

A substituição é muito simples (basta soltar uma tampa do conjunto ótico e a trava da lâmpada, como já escrevi aqui no Diário de Bordo, e não exige ferramentas como na H-D Fat Boy) e gastei a única sobressalente que eu tinha em casa: como a última vez em que isso aconteceu foi em fevereiro de 2013, há mais de um ano e meio, acredito que eu tenha pelo menos esse tempo para passar em uma loja e comprar outra. Ou não.

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