BMW F 800 GS: nova substituição de pneus aos 34.500 km


Apesar de me manter constantemente atento ao estado dos itens de substituição frequente, confesso que o pneu dianteiro, um Michelin Anakee 2, me pegou totalmente de surpresa na volta da viagem à Argentina: ao contrário do traseiro, que apesar de quadrado ainda tinha muita borracha para gastar, o dianteiro já estava tocando o indicador de troca em alguns pontos (sem falar no desgaste maior em algumas áreas, o que estava criando uma vibração no guidão).

Michelin Anakee 2 dianteiro

Não dá para reclamar, uma vez que se passaram 18.000 quilômetros desde a troca dos Pirelli Scorpion Trail, mas não deixa de ser curioso que justo o pneu que não traciona tenha essa diferença no desgaste. Meus hábitos de pilotagem, abusando do freio dianteiro e raramente acelerando forte na arrancada, certamente tem influência – mas não a esse ponto.

Qual seria a causa da diferença no desgaste, afinal?

Uma busca rápida na internet já aponta pelo menos um culpado: esse modelo, 90/90-21, foi fabricado na Tailândia, diferentemente do traseiro que foi fabricado na Espanha. Outros modelos da Michelin (como o Sirac) têm histórico semelhante, mas não há como afirmar que a origem teria influência na qualidade e a quilometragem que rodei com o Anakee 2 pode ser considerada razoável para um pneu de moto.

A grande bandeira das bigtrails é que elas são, para usar um jargão do mercado, dual purpose: elas se saem bem tanto no on quanto no off-road, pavimento ou chão batido (não por acaso a BMW batizou uma família de Gelände/Straße, fora de estrada/estrada). Um dos maiores problemas, no final das contas, acaba sendo equipar uma moto que vende a ideia de “todo terreno” com pneus que atendam à expectativa dos proprietários. Luta inglória, para dizer o mínimo.

Decidido pela troca, comecei a avaliar minhas alternativas levando em consideração que o Anakee 2 não está mais disponível: o Anakee 3 seria a escolha natural, uma vez que me adaptei bem com a versão anterior, mas aparentemente a Michelin preferiu transformá-lo em um pneu voltado ao uso em estradas pavimentadas (nas análises dos jornalistas especializados, ele foi classificado como 90/10, 90% on, 10% off-road).

Como eventualmente rodo em estradas de chão, descartei o Anakee 3 e passei a analisar o Metzeler Karoo 3, esperado substituto do Karoo T, pneu totalmente voltado ao off-road. Olhando as imagens na internet e lendo os relatos de proprietários de F 800 GS que instalaram o 3, não consegui chegar a uma conclusão; olhando o pneu ao vivo e conversando com o pessoal da loja, entretanto, ficou claro que para o meu uso o Karoo 3 não seria uma boa escolha (ele certamente tornaria a brincadeira no off-road mais divertida, mas rodo a maior parte do tempo no asfalto).

Por fim, estava na minha lista o Metzeler Tourance Next, modelo nitidamente on-road que equipa originalmente a R 1200 GS, muito semelhante ao Pirelli Scorpion Trail que veio na F 800 GS. Segundo a Metzeler, “a estrutura e os compostos do Next aumentam da durabilidade e a aderência em piso molhado”, o que faz mais sentido para o meu perfil.

Batido o martelo, aproveitei para trocar também as 2 câmaras (nem vou entrar no mérito de uma moto para aventura utilizar câmaras: seria assunto para um artigo inteiro) e verificar os rolamentos. No final das contas, incluindo o balanceamento e a instalação, a brincadeira custou R$ 1200.

Assim, pela ordem, estes foram os modelos que utilizei até agora:

pirelli-michelin-metzeler

Ainda é cedo para dizer, mas é bastante provável que o pneu mais adequado ao meu perfil – na maior parte do tempo asfalto, eventualmente chão batido – tenha sido o Michelin Anakee 2, modelo que infelizmente não é mais produzido. Aparentemente está surgindo uma lacuna no mercado de pneus on/off: vamos aguardar e torcer para algum fabricante explorar esse mercado ou para o Metzeler Tourance Next me surpreender positivamente no off-road.

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