Dona Pacheca, a Lagoa dos Patos e a traíra


Rota: Porto Alegre / Camaquã / Arambaré / Tapes / Porto Alegre

Distância percorrida: 350 km

Demorou quase um ano (desde que li a dica no Gastro Passeio) para tirar do papel a motocada até o Bambu, restaurante de Tapes (RS) que fez seu nome com um filé de traíra nota 10. Confirmada a ida, restava decidir o caminho – e seguindo a máxima “quanto mais longe, melhor”, escolhemos uma rota com 240 quilômetros de asfalto e 110 de chão batido.

No primeiro trecho asfaltado, entre Porto Alegre e Camaquã (BR-290/BR-116), não há nenhum atrativo; dali em diante, por outro lado, começa a diversão no fora de estrada: 11 quilômetros depois do trevo de Camaquã, existe uma entrada à esquerda que leva ao distrito de Pacheca: até lá, o piso é firme e a tocada é tranquila, na casa dos 60 km/h.

A prefeitura de Camaquã explica o motivo do nome:

A Vila da Pacheca é a região mais importante da cidade em termos de vestígios históricos. Todas as casas da vila estão na beira do Rio Camaquã que era, para esse povoado, o acesso ao mundo. Ali, está a casa de Manoel da Silva Pacheco, considerado fundador de Camaquã, apesar das controvérsias. A vila é conhecida Pacheca porque, quando ele faleceu, sua esposa ficou administrando a fazenda. A localidade viveu um surto de progresso devido às granjas. Em 1922, tinha telefônica e pista de pouso da Varig.

A partir da bifurcação de acesso ao distrito o piso vai ficando cada vez mais instável, com a substituição da terra batida por areia solta, e em Santa Rita do Sul, um distrito de Arambaré, há uma mudança visível na estrada: os próximos 30 quilômetros não permitem um instante de desatenção.

Desenhada às margens da Lagoa dos Patos, não é surpresa que o piso desta vicinal seja composto principalmente por areia fina: bastam alguns dias de sol e se torna complicado imprimir um ritmo razoável sem pneus adequados. Quando alguém passa do limite, a estrada cobra o preço:

Suzuki V-Strom 650

A chegada em Arambaré coloca o pavimento novamente debaixo das rodas das motos, mas dura apenas até o outro lado da cidade, onde estão os últimos 35 quilômetros sem asfalto do dia – novamente terra batida, sem os sustos do trecho anterior. Em pouco tempo, mais ou menos meia hora, encostamos as motos no Restaurante Bambu para encarar o prato da casa (que recomendo fortemente).

Na volta, as péssimas condições dos 15 quilômetros de RS-717 que separam Tapes da BR-116 me surpreenderam: apesar de asfaltado, é preciso andar devagar neste trecho em função da quantidade de buracos. Apesar deles, a traíra do Bambu e o chão batido valem a pena.

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