BMW F 800 GS: pneus e pastilhas de freio


Dezesseis mil e seiscentos quilômetros depois de abandonar o conforto da concessionária, pediram água os Pirelli Scorpion Trail que equipavam a minha BMW F 800 GS: mesmo sem terem chegado à marca de troca, ambos estavam com alguns gomos mais gastos que outros, quadrados e com sulcos insuficientes para minhas andanças pelo chão batido.

Depois de muitas horas lendo na internet a respeito das minhas opções, acabei por eleger um par de Michelin Anakee 2 como os sapatos mais adequados para os próximos milhares de quilômetros, deixando para uma experiência futura a utilização de um modelo realmente off-road como o Metzeler Karoo T ou o Mitas E-07.

Michelin Anakee 2
Michelin Anakee 2

Como uma troca de pneus se presta para muito mais do que calçar o equipamento novo, aproveitei para avaliar o estado de vários itens da moto e substituir as pastilhas traseiras. Minhas principais observações foram as seguintes:

  • A coroa está em bom estado e não apresenta desgaste anormal;
  • Nenhum dos rolamentos aparenta estar no fim da vida (pelo menos de acordo com os sintomas mais comuns, como ruído ou travamento), mas os dianteiros parecem movimentar-se com mais dificuldade que os traseiros;
  • Ambos os pneus apresentavam rachaduras em alguns pontos, mas o dianteiro possuía uma marca extensa que provavelmente é a emenda da banda de rodagem dando as caras;
  • Apesar da câmara de ar ter chegado ao final da vida em bom estado, não se pode dizer o mesmo do seu ventil: bastante enferrujado na base, acabou por condenar o conjunto;
  • Também estavam com alguns pontos de ferrugem as cabeças dos raios (que ficam por dentro do aro, separados da câmara por uma cinta de borracha): dependendo do estado delas na próxima troca de pneu, vou precisar substituí-las;
  • O desgaste das pastilhas traseiras ocorreu de forma muito desproporcional, fazendo com que a externa estivesse quase no ferro e a interna praticamente nova. Voltarei a falar sobre esse assunto no futuro, mas é certo que tem algo errado com a pinça traseira.

Até agora só percorri alguns poucos quilômetros de estrada desde a concessionária até minha garagem, então é prematuro fazer qualquer avaliação – mas posso afirmar que a moto está entrando nas curvas sem o menor esforço, o que tanto pode ser mérito dos Anakee ou demérito dos Scorpion Trail achatados pelo uso.

Para finalizar, dois registros que podem poupar incomodações em um eventual reparo durante uma viagem: soltar e afastar o sensor do ABS evita que ele seja avariado por alguma peça – raios, disco, aro, etc – e não é necessário soltar as pinças dianteiras para retirar a roda.

19 Comentários

Na minha idade e com a fresca que tem feito nos fins de tarde pastilhas agora só Valda…

A troca de pneu agora depende para mim dos kms rodados…irei a São Lourenço na sexta para pegar informações mais detalahdas da versão brasileira da CBM do Iron brasileiro…e suas atuais 3 versões de 1000, 1500 e 2000 kms em 24 horas…se cnfirmado a etapa do sul no meio do ano irei atrás dos pneus para calçar a minha genérica vazante…

Show a reportagem…

Ovelha

Muito bom o ‘report’, dá gosto acompanhar o blog.

Obrigado, Ovelha e Ricardo.

Abraços!

Olá Pirex,

Bons relatos como sempre ! Esses pneus novos também são tubeless ? Conseguiste entender pq a BMW monta pneus sem câmara em aros com câmara ?
Mais uma curiosidade, você sabe porque os sulcos do pneu dianteiro sempre ficam montados neste sentido (que não parece lógico) ? Pelo menos a mim parece que se fosse invertido, fariam uma drenagem melhor, do centro (do pneu) para fora.

Valeu, abraço !

Então tiveste a mesma impressão que eu quando saí da troca dos meus: esse anakee puxa uma curva legal, hein?

Fernando: fiz essa mesma pergunta quando estavam calçando esses mesmos pneus na minha moto, e a explicação dada é que nesse sentindo os gomos do pneu dianteiro vão “cavando” a água e deixando o sulco mais limpo pro pneu traseiro, mas te confesso que por mais que eu olhe não consigo me convencer disso, hehehe.

Mas que o pneu é show de bola, pelo menos no piso seco de asflado que andei até agora, isso é.

Fernando:
Os pneus são tubeless também e nunca ouvi uma explicação razoável para isso. Se queriam usar aros com raios, por que não fizeram nos mesmos moldes da ADV (com os pontos de fixação na borda do aro) ou ainda como a Yamaha ST 1200 (com uma guia no meio do aro)? Acho que o objetivo foi simplesmente reduzir o custo de produção da moto (uma economia discutível, uma vez que os proprietários são unânimes em dizer que esse é o calcanhar de aquiles da 800 GS).

Só posso imaginar essa explicação do André para a posição dos sulcos: certamente a Michelin fez milhares de testes para saber qual era a melhor configuração dos desenhos dianteiro e traseiro, mas estranhei (e até fui conferir se a orientação de rodagem estava apontando para o lado certo) bastante quando vi. Na próxima oportunidade vou pedir uma explicação detalhada a alguém que entenda do riscado na Michelin.

André:
Quero ver mesmo é se esses sulcos do Anakee funcionam no off-road.

Abraços!

Pirex por favor valor dos pneus e pastilhas, foi trocado em consecionaria ou não? Abração Jub@_____

Gilberto, pneus (par de Anakee 2, câmaras de ar e instalação: R$1018 em 6 vezes na Valecross) e pastilhas (EBC: R$109 na Prover Motos) trocados fora da concessionária.

Abraço!

Pirex, com certeza essa impressão de maior facilidade para fazer curvas depois da troca dos pneus é devida aos pneus novos. Já fiz troca em outras motos dos pneus velhos por novos do mesmo modelo e senti essa diferença depois da troca… rsrsrs…

Também tenho uma F800 e sobre não usar câmaras na F800, ví um vídeo no Youtube de como fazer essa adaptação, usando fitas para recobrir os raios, trocando os bicos e não usando câmaras, achei interessante. Talvez faça isso no futuro, segue o link do vídeo:

Interessante o processo, Silvio: gostei muito da dica. Honestamente essa (tirar as câmaras de ar) é a primeira coisa que eu mudaria no projeto da GS. Fico em dúvida se a água que escorre pelo raio (e ficaria presa na fita) não poderia comprometer o processo, mas acho que vale a pena o teste. Vou pesquisar mais sobre o assunto. Valeu pelo link.

Grande abraço!

Pirex,

Já testou essa idéia de usar fitas para transformar a roda eliminar a câmara de ar?

Se encontrou um lugar para fazer isso dá uma dica para nós, pois pelo vídeo tem que ser fitas específicas e importadas…

Acho que antes de uma viagem longa valeria a pena tentar essa possibildiade não?

Ficar no meio do nada devido a um pneu furado deve ser complicado… e não desejo a experiencia para ninguém, muito menos para mim…rs..rs..rs..

Abraço

Clayton
http://www.f800gsoffroad.com.br

Clayton, também fiquei muito tentado a fazer um teste, mas às vésperas de sair para uma viagem longa não dá. Na volta vou ver se descubro mais sobre esse assunto: poder usar pneus sem câmara na GS seria ótimo.

Abraço!

Piréx, vou repetir uma pergunta que fiz no artigo sobre o Atacama, mas que você não deve ter visto em meio a tantos comentários. Mas foi bom porque aqui ficará melhor localizado.

A intenção é aproveitar a experiência que você e seus colegas tiveram na viagem ao deserto para ajudar a esclarecer a dúvida que sempre temos na hora de trocar os pneus, pois notei pelas fotos que um dos seus colegas estava calçado com pneus OFF, enquanto os demais estavam com o tipo misto como o seu Anakee-2.

Pensando numa viagem longa como aquela e em todos os pisos do caminho, seria melhor colocar pneus OFF e sofrer um pouco nas curvas? Ou seria melhor colocar um ON/OFF e sofrer nos pisos mais frouxos?

Depois de 5000 km, quais as suas impressões? Seu ON/OFF funcionou bem na areia? Seu colega reclamou do OFF nas curvas? Depois da experiência, você repetiria os mesmos pneus ou colocaria OFF dessa vez?

Grande abraço,
Gilberto Barreto

Gilberto,

Se o Pirex me permite, eu posso dar uma opinião sobre o assunto:

Eu tenho na minha F800 um par de Mitas E-07 e nunca sofri problemas em curvas, mesmo quando fui para Morungaba, Amparo, com muitas curvas que deitava bem a moto…

Já no off-road senti grande diferença, na lama principalmente, é um ótimo pneu, eu recomendo, pois além de eficiente é durável.

Agora se for fazer uma viagem de 5.000 km e rodar 200 em estrada de terra, areia ou pedra solta, aí o desempenho no asfalto em alta velocidade o pneu mais ON é muito melhor e faz menos barulho…

Depende das viagens que você faz, mas na minha opinião se for trocar por um pneu melhor para o OFF coloque o Mitas E-07 e não se preocupe com as curvas… a não ser que seja um Mark Marques..rs..rs..rs

Abraço

Clayton

Ótima opinião, Clayton, agradeço. Além de fazer viagens por asfalto (sem abusar das curvas), gosto também de passear por estradas do interior, de fazer trilhas leves e eventualmente descer na parte mais dura da areia de praia, e por isso penso em colocar pneus como o E-07 na próxima troca (na verdade, estava pensando no Continental da linha TKC-80 vendido no Brasil pela Touratech). Mas sempre que digo isso, algum colega diz que ele não faz curvas, que provoca acidente na estrada, principalmente no molhado, e eu fico com medo e recuo da intenção. Mas essas opiniões quase nunca são de quem viveu a experiência, normalmente têm origem em sites de discussões na internet que por sua vez são alimentados por gente muito polarizada, que defende isso ou aquilo de forma apaixonada sem necessariamente ter vivido a situação. É nessa hora que a opinião de quem viveu a experiência de fato é importante. Agradeço a você, mas ainda deixo a questão em aberto, caso outros colegas queiram manifestar suas opiniões, além do próprio Piréx. Abraço!

Clayton:
Não só permito como agradeço pela colaboração. É disso que o Diário de Bordo vive: compartilhar informações. Obrigado pelos dados detalhados.

Gilberto:
Eu não tive a experiência que o Tara teve com o Mitas E-07 na viagem ao Atacama e a única observação dele que ouvi com frequência é que o comportamento da moto muda durante uma frenagem mais exigente no asfalto (a distância percorrida é maior). Como o Clayton bem observou, alguém que ataque as curvas mais agressivamente terá uma perda ao usar um pneu mais off-road – mas isso é o esperado: nenhum pneu vai cobrir todos os casos de uso.

Minha experiência com o Anakee 2 foi boa: no asfalto, e eu gosto de curvas, e ele responde bem; como sou muito comportado na chuva, achei bom também; no piso instável, de pé e tracionando, a moto oscila dentro do esperado e segue na direção certa. Ele é o pneu que eu imaginava, mas ainda pretendo fazer uma experiência com pneus mais off-rod (Mitas E-07, Continental TKC-80 ou Metzeler Karoo T).

Abraços!

Boa tarde tenho andado por terra e asfalto com pneu mitas E10 , o dianteiro esta bom , vai aguentar outra troca , o trazeiro esta no fim estão com 5mil km gostei muito da tocada na terra vou por outro mitas 150/70 b17 E10 recomendo , as curvas na terra são de alta velo ,e di lado fica o convite .

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