BMW F 800 GS: revisão dos rolamentos – Parte 1


Não é preciso mais do que alguns minutos no Gúgol para encontrar vários relatos de proprietários de F 800 GS detalhando seus problemas com rolamentos: junto com a bomba d’água, este é um problema recorrente. Como já passei pela desagradável experiência de um rolamento travado e a GS está batendo nos 30.000 km, finalmente pude começar a revisão deles no último domingo.

O trabalho não é complicado e as ferramentas necessárias são poucas. Veja lá:

  • Marreta de borracha
  • Kit de chaves torx
  • Chave catraca 22 mm
  • Chave de boca 13 mm
  • Chave L 13 mm

A bem da verdade, as chaves torx, boca e L não são necessárias para a desmontagem da roda traseira e o motivo delas estarem na lista é que uma revisão dessas exige uma limpeza prévia, tanto para aumentar a vida útil das peças quanto para facilitar a manutenção e a avaliação do desgaste. Como costumo lubrificar a corrente com óleo 90, eventualmente retiro as proteções do cárter, corrente e pinhão para limpar a área – mas é preciso tomar cuidado com o solvente usado, seja ele qual for (eu utilizo diesel: borrifo um pouco, passo imediatamente um jato de água e depois lavo com água e sabão).

A retirada da roda traseira da F 800 GS é um procedimento simples, principalmente por que o cavalete central já deixa o trem traseiro na posição ideal: retirada a porca (chave catraca 22 mm) e a arruela do eixo, basta bater (marreta de borracha) suavemente para retirá-lo. Para fazer com que o eixo saia com facilidade, coloque o pé debaixo da roda para evitar que ela force para baixo o conjunto quando um lado estiver solto.

O mais correto, por segurança, é retirar o sensor do ABS antes de desmontar a roda: ele é preso por apenas um parafuso, mas como o amigo leitor pode ver nas fotos eu não fiz isso. Não recomendo que ninguém proceda dessa forma sob pena de danificar o sensor.

Antes da desmontagem, fiquei pensando no que aconteceria com o suporte da pinça de freio quando o eixo fosse completamente retirado. Para minha alegria, o engenheiro que projetou a moto também pensou nisso e colocou um trilho na balança que permite o movimento do conjunto suporte/pinça durante os ajustes de tensão da corrente e evita que ele caia quando o eixo não está no lugar.

Balança sem a roda

Para evitar problemas na hora de remontar o quebra-cabeças, mantive as peças (porca, arruela, afastador, proteção do rolamento, eixo, trava) no chão na posição em que foram retiradas. Uma observação sempre importante é não acionar o freio traseiro, uma vez que, com o disco fora da pinça, as pastilhas podem ser empurradas para fora e – não testei para saber e nem vou – talvez os pistões possam desencaixar.

Com a roda fora do lugar, vale a pena aproveitar para fazer uma inspeção mais cuidadosa das peças ao redor da balança e limpar as áreas de difícil acesso. Depois da revisão feita, o próximo passo é retirar a proteção dos rolamentos para ter acesso a eles: apesar da imagem abaixo dispensar maiores comentários – há uma nítida oxidação em andamento -, os rolamentos não possuem folga ou ruído que denuncie um problema iminente. Apesar de não aparentarem problemas, vou substituí-los em breve.

Rolamento com sinais de oxidação

Revisão e limpeza feitas, coloquei um pouco de graxa no eixo para facilitar a passagem pelo cubo e remontei a roda traseira – colocando o pé embaixo da roda, como na retirada – para deixar o meu meio de transporte pronto para o uso durante a semana seguinte. Por fim, para evitar surpresas no trânsito, fiz alguns testes com a moto desligada para ver se estava tudo certo com a montagem e o freio.

No próximo artigo o assunto será a desmontagem e verificação dos rolamentos da roda dianteira (mais sobre o assunto pode ser encontrado na categoria Manutenção).

(N. do E.: por uma questão de justiça, preciso publicar uma foto da minha ajudante com a mão na massa. Não tem erro: seja para lavar, lubrificar ou substituir alguma peça, basta falar uma vez e ela está a postos. Para falar a verdade, até um convite para apenas sentar na moto já serve. Grande garota.)

Limpando a moto

7 Comentários

Olá Pirex, acompanho as postagens já a algum tempo, me chamou a atenção vc ter mencionado que usa óleo 90 na corrente, tenho uma xt660r e uso nela o motul c3 ou c4, esta com 11mil e a corrente parece zero, o detalhe é que para cada aplicação antes lavo com querozene para a retirada das partículas que causam o desgaste.
Abraço

Ola Pirex, sempre acompanho tuas investidas na matutenção da “GURIA”, pelo que notei bastante simples, o que não é o caso da minha SHADOW 750, na qual para tirar a roda traseira é necesário a retirada da descarga e tbm da pedaleira.
Grande Abraço.

Pirex boa tarde!
Muito legal, acompanho seus posts e assim q termino a leitura é hora de fazer o q tu fez aqui na minha tb gs 800 10/11 modelo 30 anos.
Gostaria que falasse mais sobre a manutenção da corrente.
Valeu, obrigado

Completo como sempre, Piréx!!!!

Show!!!

Abraços

Ubirajara:
Eu não limpo a corrente antes de todas as aplicações, mas faço sempre que posso. Uso diesel na limpeza e óleo 90 na lubrificação pela viscosidade. A relação da minha moto também está em bom estado para os 30 mil quilômetros de uso, o que de certa forma prova que essa forma de limpar/lubrificar é adequada.

Jones:
Sei bem como é. Na minha ex-Fat Boy o processo era mais ou menos o mesmo. Trabalhoso.

Jean:
Fiz várias experiências nos últimos anos lubrificando com diferentes produtos – spray, graxa branca, etc – as relações das motos que tive e o resultado que mais me agradou foi o óleo 90. O que depõe contra ele é a baixa quilometragem que ele dura, mas por outro lado isso nos faz limpar a relação com mais frequência; o pior problema dos lubrificantes que duram mais é a dificuldade de retirá-lo, o que fica pior com o acúmulo de sujeira: durante uma viagem, por exemplo, é impossível fazer uma limpeza adequada e, com uma crosta de sujeira, uma nova aplicação não chega às partes mais estreitas da corrente. Cuide bem dessa 30 anos: ela é demais.

Obrigado, Fred!

Abraços!

Show Piréx ! Muito bem relatado, e parabéns pela ajudante !

Abraços

Obrigado, Fernando.

Grande abraço!

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