BMW F 800 GS: revisão dos rolamentos – Parte 2


Demorou, mas finalmente restou desocupada uma noite durante essa semana e pude retirar a roda dianteira da suspensão para avaliar a situação dos rolamentos (conforme eu havia previsto na parte 1 deste artigo). Ao contrário do que eu imaginava, o procedimento é bastante simples e pode ser executado em pouquíssimo tempo.

Antes de mais nada, a lista de ferramentas necessárias:

  • Macaco veicular
  • Marreta de borracha
  • Kit de chaves torx
  • Chave catraca 17 mm
  • Alicate
  • Extrator caseiro do protetor de rolamento

Extrator caseiro do protetor de rolamento? E isso é ferramenta?

Pois é, talvez não seja. A verdade é que precisei de um e sem ele não teria conseguido fazer o serviço, de forma que ele precisa ser mencionado entre as ferramentas necessárias ao lado do macaco veicular, outra não-ferramenta que resolveu o problema número um dessa manutenção: como erguer a roda dianteira? Considerei outras alternativas, como abaixar a traseira ou erguer pelo garfo ou ainda pelo guidão, mas todas me pareceram piores; com uma proteção de borracha para evitar um escorregão, bastaram algumas poucas voltas (depois de tocar no protetor do cárter) e pouco esforço para o macaco tirar a roda dianteira do chão.

A maior das vantagens do uso do macaco é poder ajustar a altura a todo momento, deixando a roda mais perto do chão ou menos, de acordo com a necessidade: na hora de retirar a roda do meio do garfo, com o eixo fora do lugar, é bom ter uma certa distância entre o pneu e o chão – mas para encaixar o eixo novamente no lugar, basta ajustar a altura do macaco para se tornar desnecessário o pé debaixo do pneu (como fiz na hora de retirar e recolocar a roda traseira).

Macaco do carro tem nova função

Como o espaço é pequeno em comparação com a suspensão traseira, decidi não correr riscos e afastei o sensor do ABS antes de mais nada (ele é preso por apenas um parafuso torx e não precisa ser retirado, apenas afastado). Para tirar o eixo da roda dianteira, afrouxei o parafuso 17 mm que fica do lado esquerdo sem retirá-lo completamente (para que ele próprio possa ser usado para empurrar o eixo para fora com a marreta de borracha), depois os parafusos torx próximos a ele, os parafusos torx do outro lado e o eixo estava solto. Depois de retirado o eixo, basta puxar a roda para que os discos de freio desencaixem das pinças: há quem sugira retirar as pinças (são 2 parafusos torx em cada uma delas), mas isso não é necessário por que elas podem ser ligeiramente afastadas para que o pneu saia.

Velho lembrete de sempre: nada de tocar no manete do freio para evitar que as pastilhas saiam do lugar. Apenas com o tira-e-bota da roda já é possível que elas se movimentem e pode ser necessário separá-las com uma chave de fenda para que os discos voltem aos seus lugares com facilidade. Se uma delas cair, é só encaixá-la novamente na pinça.

Com a roda fora do lugar, finalmente chegou o momento de avaliar os rolamentos. E quem disse que eu conseguia tirar o protetor do rolamento com as mãos? Pensa daqui, revira as ferramentas dali e quem acabou sofrendo o pênalti foi uma chave antiga: depois de ter a ponta entortada por um alicate, ela se transformou no meu extrator caseiro do protetor de rolamento (duas dela poderiam fazer força de forma mais distribuída no protetor, mas não foi preciso).

Extrator caseiro do protetor do rolamento

Com o rolamento à vista, foi fácil perceber que os sinais de oxidação apresentados pelos traseiros não estão aparentes nos dianteiros; a rolagem, por outro lado, parece mais pesada e é possível sentir ao girar o rolamento com os dedos as esferas fazendo um croc-croc esquisito. Assim como os traseiros, que entraram para a lista das próximas substituições, os rolamentos dianteiros também serão trocados em breve.

Encerrada a avaliação, bastou executar os passos do procedimento de desmontagem ao contrário (terminando pelo sensor do ABS) e fazer alguns testes com a moto parada para que ela estivesse pronta para o dia seguinte.

(N. do E.: um vídeo sobre manutenção de motocicletas publicado no canal Awesome Players do YouTube faz um comentário curioso: “cuidado ao executar este procedimento, coisas ruins podem acontecer”. Pode parecer exagerado, mas é sempre bom lembrar que executar uma manutenção na moto exige conhecimento e cautela. Saber executar os procedimentos básicos de manutenção pode significar a solução de um problema enorme em uma viagem, mas carrega consigo uma responsabilidade igualmente grande.)

2 Comentários

Bem explicado, como sempre! Agora, vá detonar rolamento assim lá na caixa prego! Será que é algum erro de projeto? Quantos km você fez com moto? Pergunto isso, por que sou engenheiro/professor e ensino como especificar rolamentos aos meus alunos. Uma das premissas é quanto a durabilidade dos mesmos.

No seu caso, viu se ainda tem graxa, ou o rolamento é vedado e não precisa de lubrificação?

Ao trocar os rolamentos não se esqueça de trocar também o retentor, é ele quem garante o isolamento com o meio ambiente.

Abraço.

Renato, eu acho que a questão com os rolamentos é da escolha do fornecedor: vários proprietários tiveram problemas com os originais e resolveram quando substituíram por outros de marcas conhecidas (NSK, SKF, NTN, etc). O que mais me intriga é que o custo de rolamentos de qualidade é irrisório, então não faz sentido a BMW economizar em um item importante como esse – ainda mais em um modelo que foi pensado para o fora de estrada.

O rolamento é vedado, mas é justamente sobre essa vedação que pairam as maiores dúvidas… Eu já tinha percebido os rolamentos dianteiros pesados (escrevi sobre isso em março de 2013) durante a troca dos pneus, quando a moto tinha pouco mais de 16.000 km e um ano de uso, o que pode indicar um problema pré-existente. Na hora da troca, vou abri-los para ver se é possível deduzir alguma coisa analisando o desgaste.

Minha moto virou os 30.000 km hoje.

Grande abraço!

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