Troca de óleo da BMW F 800 GS (36.500 km)


Deixei a preguiça de lado no último final de semana e troquei novamente óleo (Motul 5100 10w40) e filtro (Athena) da GS: a mudança no comportamento do motor é tão perceptível que dá vontade de fazer o serviço mais frequentemente; como não sou especialista, preciso seguir quem entende do assunto – e mesmo assim, dependendo da fonte que se consulte, a recomendação é para usar até 10.000 km. O óleo que saiu do motor segue com bom aspecto, ainda viscoso, e não há sinal de desgaste precoce das partes móveis.

Trocas (fora da concessionária) anteriores:

BMW F 800 GS: nova substituição de pneus aos 34.500 km


Apesar de me manter constantemente atento ao estado dos itens de substituição frequente, confesso que o pneu dianteiro, um Michelin Anakee 2, me pegou totalmente de surpresa na volta da viagem à Argentina: ao contrário do traseiro, que apesar de quadrado ainda tinha muita borracha para gastar, o dianteiro já estava tocando o indicador de troca em alguns pontos (sem falar no desgaste maior em algumas áreas, o que estava criando uma vibração no guidão).

Michelin Anakee 2 dianteiro

Não dá para reclamar, uma vez que se passaram 18.000 quilômetros desde a troca dos Pirelli Scorpion Trail, mas não deixa de ser curioso que justo o pneu que não traciona tenha essa diferença no desgaste. Meus hábitos de pilotagem, abusando do freio dianteiro e raramente acelerando forte na arrancada, certamente tem influência – mas não a esse ponto.

Qual seria a causa da diferença no desgaste, afinal?

Uma busca rápida na internet já aponta pelo menos um culpado: esse modelo, 90/90-21, foi fabricado na Tailândia, diferentemente do traseiro que foi fabricado na Espanha. Outros modelos da Michelin (como o Sirac) têm histórico semelhante, mas não há como afirmar que a origem teria influência na qualidade e a quilometragem que rodei com o Anakee 2 pode ser considerada razoável para um pneu de moto.

A grande bandeira das bigtrails é que elas são, para usar um jargão do mercado, dual purpose: elas se saem bem tanto no on quanto no off-road, pavimento ou chão batido (não por acaso a BMW batizou uma família de Gelände/Straße, fora de estrada/estrada). Um dos maiores problemas, no final das contas, acaba sendo equipar uma moto que vende a ideia de “todo terreno” com pneus que atendam à expectativa dos proprietários. Luta inglória, para dizer o mínimo.

Decidido pela troca, comecei a avaliar minhas alternativas levando em consideração que o Anakee 2 não está mais disponível: o Anakee 3 seria a escolha natural, uma vez que me adaptei bem com a versão anterior, mas aparentemente a Michelin preferiu transformá-lo em um pneu voltado ao uso em estradas pavimentadas (nas análises dos jornalistas especializados, ele foi classificado como 90/10, 90% on, 10% off-road).

Como eventualmente rodo em estradas de chão, descartei o Anakee 3 e passei a analisar o Metzeler Karoo 3, esperado substituto do Karoo T, pneu totalmente voltado ao off-road. Olhando as imagens na internet e lendo os relatos de proprietários de F 800 GS que instalaram o 3, não consegui chegar a uma conclusão; olhando o pneu ao vivo e conversando com o pessoal da loja, entretanto, ficou claro que para o meu uso o Karoo 3 não seria uma boa escolha (ele certamente tornaria a brincadeira no off-road mais divertida, mas rodo a maior parte do tempo no asfalto).

Por fim, estava na minha lista o Metzeler Tourance Next, modelo nitidamente on-road que equipa originalmente a R 1200 GS, muito semelhante ao Pirelli Scorpion Trail que veio na F 800 GS. Segundo a Metzeler, “a estrutura e os compostos do Next aumentam da durabilidade e a aderência em piso molhado”, o que faz mais sentido para o meu perfil.

Batido o martelo, aproveitei para trocar também as 2 câmaras (nem vou entrar no mérito de uma moto para aventura utilizar câmaras: seria assunto para um artigo inteiro) e verificar os rolamentos. No final das contas, incluindo o balanceamento e a instalação, a brincadeira custou R$ 1200.

Assim, pela ordem, estes foram os modelos que utilizei até agora:

pirelli-michelin-metzeler

Ainda é cedo para dizer, mas é bastante provável que o pneu mais adequado ao meu perfil – na maior parte do tempo asfalto, eventualmente chão batido – tenha sido o Michelin Anakee 2, modelo que infelizmente não é mais produzido. Aparentemente está surgindo uma lacuna no mercado de pneus on/off: vamos aguardar e torcer para algum fabricante explorar esse mercado ou para o Metzeler Tourance Next me surpreender positivamente no off-road.

Troca de óleo da BMW F 800 GS (31.500 km)


O ano de 2014 passou voando e me pegou com as calças na mão: sem uma viagem grande, rodei pouco com a GS e não cheguei nem perto dos 5.000 quilômetros desde a última troca de óleo. Acostumado a executar as trocas apenas pela quilometragem, não me dei conta que estava utilizando o mesmo óleo há 9 meses (o recomendado pelos fabricantes é, via de regra, 6 meses) e o uso essencialmente urbano desde a última troca certamente degradou o lubrificante mais do que o normal.

No dia em que me dei conta do esquecimento, aproveitei o motor quente ao chegar em casa depois do trabalho para fazer a troca. Visualmente, o que é muito pouco, não me pareceu que o óleo usado tivesse algum problema (provavelmente a validade ainda estava dentro da margem de segurança); testando a viscosidade com os dedos, o que também não é nada técnico, tudo aparentava estar dentro da normalidade. Óleo trocado, nível testado, tudo na mais santa paz novamente.

Vira e mexe, nos papos de mesa de bar, surge a questão do aperto do filtro do óleo: é só apertar com a mão? Aperta com a chave? Quanto? O filtro da K&N vem com a especificação impressa no corpo e encerra a discussão: 7/8 de volta depois da borracha de vedação tocar o cárter (ou 2~2,4 kgf/m); já na caixa do Athena, a instrução é para apertar 3/4 de volta.

Conforme eu havia escrito em agosto de 2013, guardei os filtros usados para, com um de cada fabricante que já usei, abrir um por um e verificar se são construídos de maneira semelhante. Com pequenas diferenças (da esquerda para a direita: Athena, K&N e o da concessionária), todos os três possuem a válvula de by-pass, minha maior curiosidade, e demandaram o mesmo esforço para a serra romper a carcaça – o que, grosso modo, indica uma resistência semelhante à pressão.

Filtros de óleo

Filtros de óleo

Filtros de óleo

O filtro colocado pela concessionária difere ligeiramente dos outros dois: ele possui uma tela na válvula (talvez para que, com o elemento filtrante sujo a ponto de bloquear a passagem de óleo e a consequente abertura da válvula de by-pass, a tela impeça a passagem de resíduos maiores), uma mola nitidamente mais resistente na válvula, uma fita ao redor do elemento filtrante e não possui a borracha de vedação que o Athena e o K&N possuem entre a carcaça e o filtro.

Sendo os três filtros compatíveis com a F 800 GS, era de se esperar que todos contivessem os mecanismos necessários para lubrificar com segurança as partes móveis do motor, mas este editor acredita que o seguro morreu de velho e gosta de conferir tudo duas vezes. Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça.

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