Serra do Corvo Branco e Serra do Rio do Rastro


Rota: Porto Alegre (RS) / Torres (RS) / Tubarão (SC) / Braço do Norte (SC) / Grão Pará (SC) / Urubici (SC) / Bom Jardim da Serra (SC) / Lauro Müller (SC) / Criciúma (SC) / Araranguá (SC) / Torres (RS) / Porto Alegre (RS)

Distância percorrida: 870 km

A Serra do Rio do Rastro sempre foi um destino interessante para a maioria dos motociclistas, mesmo os que já passaram por ela (que é o meu caso, sempre acabo voltando lá); muito próximo dela está a Serra do Corvo Branco – que ganhou esse nome por conta do Urubu-Rei, chamado erroneamente de corvo -, por onde passa a SC-370, estrada que liga os municípios de Grão Pará e Urubici e onde, por uma dessas coisas sem explicação, eu nunca havia passado. Para finalmente conhecer a Serra do Corvo Branco, fiz uma rota subindo por ela, de Grão Pará a Urubici, e descendo pela Serra do Rio do Rastro.

Até Grão Pará a estrada é pavimentada, então não há o que comentar: dali em diante começam os trechos de chão batido, com algumas sobras de asfaltamentos passados, mas nada que possa preocupar. No pé da serra, entretanto, o panorama começa a mudar com subidas íngremes, curvas fechadas, pedras soltas e um trânsito acima do que eu esperava, inclusive de caminhões: na maior parte da estrada os carros não passam lado a lado, em algumas nem a moto e um carro (buzine ao entrar nas curvas), então o jeito é parar e procurar um canto seguro. Isso não seria um problema se o piso fosse mais estável, então é preciso pensar bem cada movimento principalmente se o visitante estiver com uma moto grande, o que não recomendo pela facilidade com que se pode cair ou fritar a embreagem recomeçando a subida após um encontro com um veículo.

As paisagens, por outro lado, valem a pena. Para onde quer que se olhe, há escarpas, pequenas cascatas, floresta nativa, uma festa verde. Após poucos quilômetros de subida está a pedra cortada, parte inicial da serra para quem vem no sentido contrário (de Urubici a Grão Pará), que é justamente o caminho que recomendo para quem quiser conhecer o Corvo Branco com tranquilidade.

Escalada a Serra do Corvo Branco restava descer a Serra do Rio do Rastro, um dos destinos obrigatórios para motociclistas que possui paisagens de tirar o fôlego. Em questão de minutos, entre Urubici e Bom Jardim da Serra, a temperatura caiu 10 graus e uma forte neblina tomou conta da estrada e fazendo com que fosse necessário rodar devagar por conta da visibilidade de poucos metros. Na chegada ao mirante do Rio do Rastro, o previsível aconteceu e a serra estava completamente escondida, o que torna a descida mais delicada por conta da névoa branca que toma conta de tudo e impede até mesmo que se enxergue o cânion e os veículos mais à frente, além de um fluxo constante de água em várias partes da SC-390.

No pé da serra a chuva me alcançou e foi comigo até Porto Alegre, mas intercalada com períodos de sol não foi suficiente para me obrigar a colocar a capa de chuva. No final das contas, depois de rodar por essas duas serras no mesmo dia, a chuva só lavou por fora para acompanhar a alma lavada.

 

Dona Pacheca, a Lagoa dos Patos e a traíra


Rota: Porto Alegre / Camaquã / Arambaré / Tapes / Porto Alegre

Distância percorrida: 350 km

Demorou quase um ano (desde que li a dica no Gastro Passeio) para tirar do papel a motocada até o Bambu, restaurante de Tapes (RS) que fez seu nome com um filé de traíra nota 10. Confirmada a ida, restava decidir o caminho – e seguindo a máxima “quanto mais longe, melhor”, escolhemos uma rota com 240 quilômetros de asfalto e 110 de chão batido.

No primeiro trecho asfaltado, entre Porto Alegre e Camaquã (BR-290/BR-116), não há nenhum atrativo; dali em diante, por outro lado, começa a diversão no fora de estrada: 11 quilômetros depois do trevo de Camaquã, existe uma entrada à esquerda que leva ao distrito de Pacheca: até lá, o piso é firme e a tocada é tranquila, na casa dos 60 km/h.

A prefeitura de Camaquã explica o motivo do nome:

A Vila da Pacheca é a região mais importante da cidade em termos de vestígios históricos. Todas as casas da vila estão na beira do Rio Camaquã que era, para esse povoado, o acesso ao mundo. Ali, está a casa de Manoel da Silva Pacheco, considerado fundador de Camaquã, apesar das controvérsias. A vila é conhecida Pacheca porque, quando ele faleceu, sua esposa ficou administrando a fazenda. A localidade viveu um surto de progresso devido às granjas. Em 1922, tinha telefônica e pista de pouso da Varig.

A partir da bifurcação de acesso ao distrito o piso vai ficando cada vez mais instável, com a substituição da terra batida por areia solta, e em Santa Rita do Sul, um distrito de Arambaré, há uma mudança visível na estrada: os próximos 30 quilômetros não permitem um instante de desatenção.

Desenhada às margens da Lagoa dos Patos, não é surpresa que o piso desta vicinal seja composto principalmente por areia fina: bastam alguns dias de sol e se torna complicado imprimir um ritmo razoável sem pneus adequados. Quando alguém passa do limite, a estrada cobra o preço:

Suzuki V-Strom 650

A chegada em Arambaré coloca o pavimento novamente debaixo das rodas das motos, mas dura apenas até o outro lado da cidade, onde estão os últimos 35 quilômetros sem asfalto do dia – novamente terra batida, sem os sustos do trecho anterior. Em pouco tempo, mais ou menos meia hora, encostamos as motos no Restaurante Bambu para encarar o prato da casa (que recomendo fortemente).

Na volta, as péssimas condições dos 15 quilômetros de RS-717 que separam Tapes da BR-116 me surpreenderam: apesar de asfaltado, é preciso andar devagar neste trecho em função da quantidade de buracos. Apesar deles, a traíra do Bambu e o chão batido valem a pena.

Passo do S, Serra do Umbú e o frio de rachar


Rota: Porto Alegre/Novo Hamburgo/Taquara/São Francisco de Paula/Maquiné/Osório/Porto Alegre

Distância percorrida: 450 km

Fez frio nos Campos de Cima da Serra no último final de semana. Conhecida pela neve, a região é gelada até no verão e os 3 graus anunciados para o sábado passado já serviriam para desencorajar uma saída de moto – mas surgiu uma possibilidade de conhecer o Passo do S, no Parque Estadual do Tainhas, e cavalo encilhado não se deixa passar. De mais a mais, essa temperatura prevista deveria ser a mínima do dia, provavelmente cedo da manhã, e não chegaríamos (eu e um parceiro de várias indiadas) antes das 10h no topo da serra.

Saímos de Porto Alegre (RS) antes das 8h com uma temperatura de 10 graus; à medida em que subíamos a serra, o termômetro no painel apontava um problema cada vez maior: no final das contas, na chegada a São Francisco de Paula, os 3 graus previstos deram as caras. Enquanto estivemos parados a temperatura não era tão incômoda, mas depois de alguns minutos rodando não havia luva que mantivesse a mão protegida do frio de rachar a ponta dos dedos.

A estrada de chão que liga a RS-110 ao Passo do S possui 7 quilômetros de extensão e exige atenção nas baixadas, onde a água se acumula e o barro transforma o passeio em um rali. Com um pouco de paciência, em pouco tempo chega-se ao Rio Tainhas, onde o lajeado com um palmo d’água permite o cruzo de veículos: na chegada à margem do rio, já com o sol rompendo o bloqueio das nuvens, o termômetro marcava confortáveis 5 graus.

Passo do S

Empolgado com a chegada, segui a estrada e entrei rio adentro com a moto, parando em seguida para registrar em fotos o lugar. Ao parar, me pareceu que o lajeado não era tão estável para a moto quanto eu esperava, mas deixei para avaliar com mais calma na volta de uma caminhada pela margem até a cascata que fica a poucos metros da estrada.

Registros feitos, entramos um pouco mais no rio a pé e então apareceu a explicação da instabilidade do piso: limo. Ficamos ali na margem, discutindo se valia a pena arriscar ou não, eventualmente caminhando um pouco mais em direção ao centro do rio, e então ficou claro que se mal conseguíamos ficar de pé, com as motos o cenário seria mais complicado ainda. Talvez um tombo em baixa velocidade não fosse um problema, mas levantar a moto do lajeado sem ter onde apoiar o pé com segurança seria impossível. Além disso, com a temperatura na casa dos 5 graus, rodar molhado os 200 quilômetros de volta para casa não parecia ser uma boa ideia.

Assim, restou adiado para o verão, com menos água, talvez com menos limo, o esperado cruzo do Passo do S. Como prêmio de consolação, almoçamos em Tainhas, onde uma sopa de feijão esquentou o corpo para encarar a volta, e descemos pela Serra do Umbú (onde eu havia passado em março de 2010).

Até o verão, Passo do S. Voltaremos.

    REDES:  

  • rss
  • youtube
  •  
  • PESQUISAR NOS ARQUIVOS: