Harley-Davidson Fat Boy & Power Commander III


À medida em que a possibilidade de adquirir uma moto Harley-Davidson tornava-se mais real, dúvidas aos quilos surgiam na minha cabeça e os conhecidos foram consultados à exaustão. A distância entre-eixos atrapalha? E o peso? Qual é o valor do seguro? A campeã de consultas, entretanto, foi a seguinte: como é utilizar um propulsor refrigerado a ar no trânsito travado de uma capital? As respostas nunca eram assustadoras e os inquiridos foram unânimes em dizer que um motor de 96 polegadas cúbicas geraria um calor considerável sem um bom fluxo de ar – mas, se fosse o caso, um radiador de óleo ou uma mexida na mistura ar/combustível poderia reduzir a temperatura na casa de máquinas.

Era a resposta que eu estava esperando.

Um dos itens que adquiri junto com a Fat Boy foi um Power Commander (já pensando em evitar o cozimento das minhas canelas), equipamento produzido pela Dynojet Research Company que é muito usado por quem deseja tirar tudo o que um motor tem para dar. O que ele faz basicamente é mudar o fuel map que veio da fábrica, enganando a injeção eletrônica, para entregar mais ou menos combustível em cada relação abertura do acelerador X rotação do motor.

O envio – e recebimento, se for necessário partir de um que já está em uso – dos mapas ao equipamento se dá através de um software chamado Power Commander Control Center: ao conectar o PCIII a um computador (pela porta USB), é possível visualizar na tela principal do sistema, entre outras informações, a rotação do motor e a posição do acelerador. Daí para frente, vale a experiência de quem está ajustando o equipamento ou, no meu caso, a tentativa e erro – o que eu não recomendo, já que, por exemplo, o uso de uma mistura pobre pode arruinar um motor.

Contando com o zero map (que possui todas as relações abertura do acelerador X rotação do motor zeradas), existem 46 fuel maps da Harley-Davidson Fat Boy 2008 disponíveis para download no site da Power Commander, cada um indicado para uma determinada combinação de acessórios (filtro de ar, escape, etc). Como nenhum deles reproduz exatamente a combinação que utilizo atualmente – filtro de ar esportivo e escape original -, optei por testar os dois mais próximos, comparar com o zero map e fazer os ajustes necessários para atender meus objetivos: motor mais frio na cidade e razoavelmente econômico na estrada.

Dito isto, vamos aos dados:

Mapa M813-000 (zero map): 15km/l na cidade, 19 km/l na estrada.

Mapa M813-008 (filtro de ar esportivo, escape esportivo): 12 km/l na cidade, 16 km/l na estrada.

Como os valores do mapa M813-001 (filtro de ar original, escape original) são muito semelhantes aos do M813-008, acabei por não testá-lo, já que os números do consumo seriam próximos demais dos que eu já tinha e aparentemente não houve – ou a minha falta de sensibilidade não permitiu que eu percebesse – mudança significativa na temperatura do motor mesmo utilizando um mapa de mistura mais rica.

Resumo da ópera: para tirar do TC96B tudo o que ele tem para dar, o mais correto seria colocar a moto em um dinamômetro e ajustar o PCIII de acordo com a minha forma de pilotar; como a minha prioridade é manter o motor com a menor temperatura possível na cidade e com um consumo de combustível aceitável, o Power Commader será retirado da Fat e provavelmente um radiador de óleo assumirá suas funções.

22 Comentários

Sei.

Isso tudo é pra andar de moto?!

EL GDM

Andar é só uma parte da diversão, GDM… 😀

Abraço!

Show de bola os experimentos….um dia penso em chegar a uns 22km/l na V-Strom….mas haja paciência pra ficar furingando nos mapas…e como tu mesmo citou, uma mistura errada pode arruinar o motor…

Bom mesmo, Tara, seria se tivéssemos um fornecedor desse serviço (ajuste da moto no dinamômetro de acordo com o tipo de pilotagem do usuário) aqui em Porto Alegre. O jeito é esperar.

Abraço!

Dizem que a StarMax tá vendo um dinamômetro…é esperar mesmo…

….O único problema de testar em viagem é atrapalhar os amigos que vão junto….hihihihih
brincadeira ai Pirex, não sabia que a HD tinha um imã de parafusos….

Na próxima viagem tu puxa o bonde….

quando eu fiz os testes mexendo na injeção da VS eu saia ali da mecânica, pegava a BR quando chegava na subida da serra indo pela 116 eu voltava….e andava na manhã mesmo…

tudo pode alterar o consumo….

mãnha…

É o jeito, Tara… Da próxima vez vou de ponteiro – assim não cato as peças que vocês perdem e nem sou deixado para trás 😀

Abraço!

Pirex, baixar a temperatura “externa” do motor apenas com a alimentação é meio utópico. A temperatura interna muda bastante, como você mesmo disse… Pode-se até mesmo arruinar o motor, travando uma válvula devido a dilatação dos metais.

Mas de qualquer forma, você pode, em vez de procurar redução na temperatura, procurar mais desempenho, ou mais economia! O PCIII ajuda muito nisso.

E o radiador de óleo também ajuda, mas não muito… Em motores refrigerados a ar, o óleo não circula pelo “corpo” do motor com a função de refrigera-lo… ele fica apenas no carter e lubrifica as partes móveis. Isso pouco influi na temperatura do motor.

O jeito é usar calças de amianto! hehehehe

Exatamente, Daniel!

Por isso a minha questão.

GDM, vendo os amigos usando lendas para comprar gadgets

Tens razão, Daniel, mas minha pretensão se baseou na experiência de outros proprietários de softail TC96B que enriqueceram a mistura – de uma forma ou de outra, não necessariamente com um PC – e perceberam isso no uso diário (principalmente no escape, que troca muito calor e está diretamente ligado à temperatura interna do motor).

Como eu não tenho como objetivo melhorar o desempenho da Fat, o PC é um exagero: mesmo não tendo percebido uma mudança na temperatura externa e acreditando que esse tipo de motor foi projetado pensando em eventuais percursos urbanos, o radiador é uma solução razoável para aumentar a longevidade do motor. Ainda não estou certo que vou utilizar um, mas é uma possibilidade.

Por último, uma informação curiosa: a CB1300SF, mesmo refrigerada à água, emanava um calor furioso no trânsito urbano; quando a temperatura do motor acionava a ventoinha, então, era bafo para todo lado.

(Depois mande a fatura pela consultoria técnica fornecida ao GDM :D)

Abraços!

Depois me explique como o calor pode ser “furioso”?

EL GDM

Use a imaginação, GDM 😀

O fato é o seguinte: moto grande é pra andar na pista, a 100 por hora. Na cidade qualquer moto maior vai ser desconfortável. Na cidade, com minha Boulevard C 1500 parece que estou sentado numa churrasqueira. Com a HD 883 que eu tinha não era muito diferente. É isso aí! Abraços. MM

É verdade, Marcos, mas como sou um usuário diário de todas as motos que tive, procuro torná-las mais confortáveis no trânsito urbano na medida do possível. Com os motores que ambas – Fat e Buleva – possuem, é mais do que compreensível seus comportamentos “esquentados”.

Grande abraço!

Achei interessante a postagem pois eu queria instalar esse sistema na minha moto pra tirar maior proveito do motor mas acho que não vale a pena mesmo. Meu motor é um pouco maior mas aumentar a potencia acho que é exagero além de gastar mais $$$. Vi nas fotos que tinha um chimarrão no meio. Faço a mesma coisa! Ao fuçar nas motos sempre faço o meu e me divirto com as maquinas. Tb tenho um blog se quizer conferir fique a vontade. Parabéns pelo blog,abraço.

É exatamente isso, Lennon: o PC3 não é um produto ruim – bem pelo contrário -, só não é o que preciso neste momento. E mexer na moto, além de divertido, é um aprendizado útil para quem viaja. Já assinei teu blog e se não vi mal, tua moto é uma VTX1800… Um espetáculo de moto. Não entendo como a Honda não fez esse modelo dar certo aqui no Brasil.

Abraço!

EL GDM, me parece que voce nao entende nada de mecanica, porque deturpa o raciocinio de quem entende?

Carlos, eu sou engenheiro mecânico. PUC-RS 1986. Smack. EL GDM

Entre no bate papo com mais tecnica para que, quem nao entende aprenda tambem> Tambem sou engenheiro mecanico aposentado nas plataformas de petroleo!

Mas eu não quero ensinar ninguém! O Pirex já faz isso.

Putz, vc é da Petrobras. Sorry, man… Tenho preconceitos.

EL GDM

Não leve as palavras do GDM muito ao pé da letra, Carlos: apesar dele botar lenha na fogueira para ver o circo pegar fogo, lá no fundo, o cabra é uma mãe. Um incendiário, mas gente boa demais.

Abraços aos dois!

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