Prazer em conhecê-la, dona Lúcia


Rota: Porto Alegre / Farroupilha / Nova Roma do Sul / Nova Pádua / Flores da Cunha / São Marcos / Caxias do Sul / Nova Petrópolis / Novo Hamburgo / Porto Alegre

Distância percorrida: 380 km [rota]

Quem anda de moto sabe: grande parte da riqueza de uma viagem é composta pelos personagens que encontramos pelo caminho e suas histórias, verdades, rotinas e experiências. Na semana que passou, no meio de uma motocadinha despretensiosa, conhecemos dona Lúcia, uma mulher guerreira.

Vamos por partes.

Localizada a 160 km de Porto Alegre (RS) e colonizada principalmente por italianos, Nova Roma do Sul é uma cidade serrana de aproximadamente 3.500 habitantes. Em junho de 2008, um mês após a compra da Honda CB 1300 SF, fui até lá conhecer a Usina Hidrelétrica Castro Alves mas não estava com a moto certa para continuar o passeio pelas estradas de chão da região.

Agora com o equipamento adequado, voltei às curvas (há quem diga que algumas são tão fechadas que é possível ver a placa a moto) asfaltadas da RS-448 para alcançar, por chão batido, a usina e em seguida a balsa que cruza o Rio das Antas – e aí é que dona Lúcia entra na história.

Quando fizemos a última curva antes do rio e enxergamos a balsa, tudo nos pareceu silencioso demais: era possível ver um cabo de aço atravessando o rio, semelhante ao que encontramos no Uruguai em 2010, mas qual seria o meio de propulsão? Olhando com mais calma, nos demos conta que dona Lúcia era o motor da embarcação. Esta senhora, sozinha, empurra através do Rio das Antas caminhões, carros, motos e o que mais surgir a bordo de sua balsa (durante nossa travessia, além das duas motos, estava um caminhão). Depois de alguns minutos de papo e de atender nossa curiosidade com muita calma, dona Lúcia ainda permitiu que o Dedé, um cavalheiro em tempo integral, a ajudasse no serviço.

Dedé e dona Lúcia

Por fim, nossa nova amiga ainda apontou um atalho para chegar ao Belvedere Sonda, de onde pudemos enxergar a própria balsa ao longe: o caminho que usamos é pouco utilizado (vindo da balsa, é o primeiro acesso à esquerda) e o piso estava um pouco instável, mas nada que atrapalhasse um dia que começou com pastel no café da manhã, teve pastel no almoço e pastel no café da tarde.

Depois da parada no belvedere, ainda tivemos tempo de percorrer outra estrada de chão batido até São Marcos e voltar pela BR-116 até Porto Alegre: se na descida da serra um caminhão lento pode exigir paciência, na chegada à capital do gaúchos é preciso multiplicar essa mesma paciência por mil. No fim de um dia motocando, tenho que admitir, fica bem mais fácil.

19 Comentários

Show de passeio ! Como sempre, baitas fotos ! Estava ( e está ) nos meus planos visitar a barragem… agora tem mais outros locais adicionais. Thanks por compartilhar.

Grande Mestre,

gostei mesmo dessa sua dieta de pastel…. Tem como gosta o GDM de costela???

Tens vários desses passeios em minha lista de lugares para conhecer…espero iniciar com uma moto mais adequada…

Parabéns mais uma vez, mas maravilha teres conseguido colocar o Dedé para trabalhar…

Ovelha

Baita passeio.

Parabéns!

Show o passeio, Piréx!

Mas eu não entendi muito bem o funcionamento dessa balsa… A mulher realmente puxa a embarcação inteira “no braço” ?

Deve levar horas essa travessia. 🙂

Que beleza, Piréx. As curvas dessa estrada de Nova Roma do Sul são espetaculares. Alguns trechos me fazem lembrar da Serra do Rio do Rastro. Mas não conhecia esse caminho até a barragem. Valeu a dica.

Kleber Diabolin

Legal o passeio Pirex!!!

Com a motoca certa anda-se com mais conforto pelos caminhos da vida hehe. Como nem tudo na vida são flores,vivenciar e ouvir histórias como essas até da gosto de motocar por lugares extremos.Isso se for para o sul do país,porque for para o norte a história é outra,falta respeito com os visitantes,ai sim tem que ter paciência para não matar o cara que tu ta pagando para te ajudar.

Assim como o Daniel minha dúvida é na base do feijão??Ainda bem que parece pertinho, mais por isso tem uma alavanca adicional para os cavalheiros que queiram colaborar nesse caso Dede rsrs.

Show Piréx ! Como existem lugares interessantes e próximos. Boas fotos e relato. como disse o Ademir, obrigado por compartinhar. Creio que a balsa fica fixa ao seu trajeto somente pelo cabo, não é ? E quando a correnteza aumenta, a Dnª Lúcia continua a fazer as travessias ?
Valeu, abraços !

Ademir:
Vale muito a pena motocar por lá. A rota que percorremos está disponível para download no topo do artigo, então carregue o GPS e bom passeio.

Ovelha:
Quem não aprova a dieta do pastel é a patroa, mas como ela não acessa o blog… Tudo liberado.

Valeu, Filipi!

Daniel:
Ela puxa a balsa literalmente no braço. Faltou essa informação no artigo então vou colocar aqui: a travessia dura menos de 5 minutos. Dona Lúcia é fogo, parceiro.

Diabolin:
E o acesso à estrada de chão batido que leva à balsa não pode ser mais simples: ao lado do posto de combustíveis.

Samuel:
É isso aí… No muque. E é preciso ter a manha, uma vez que depois de puxar é preciso escorregar a alavanca para frente, o que deu alguns sustos no Dedé até ele aprender o esquema. A profundidade ali, segundo dona Lúcia, é de 9 metros e a largura do rio (chute meu) aproximadamente 50 metros.

Fernando:
Exatamente. A balsa fica presa pelo cabo e a correnteza do rio é aliviada pela barragem, que fica imediatamente antes. Se o volume de água aumentar muito, acho que ainda assim não mudaria muito o esforço da dona Lúcia.

Abraços!

Muito legal o passeio e o blog. Sou amigo do Probst que divulgou seu blog.
Em blumenau temos também uma pouco conhecida balsa puxada na tora, tem relato aqui nesse post. http://pietropaladini.blogspot.com.br/2012/10/pomerode-jaragua-do-sul.html
Abraço e muitos km

Pietro, me parece que é o mesmo sistema – apenas com a diferença do material da alavanca. Já faz um tempo que acompanho teu blog, que é muito bom, e tinha visto este artigo quando publicaste.

Grande abraço!

Show Piréx!
São esses encontros pitorescos que realmente dão o tempero especial às motocadas.
Grande D. Lúcia.
O peso do arrasto não é um absurdo, claro, porque a alavanca faz o serviço.
Mas realizar aquela viagem “trocentas” vezes por dia não é mole. E com aquela lua então?
Haja perna.

Ah, pois.

Entendi agora o nome do rio!

Smack

EL GDM

Dedé:
Dona Lúcia deve estar se perguntando quando passaremos por lá novamente para dares aquela forcinha. Na sombra, tranquilão. O que te parece?

GDM:
Eu achava que o nome do rio era por causa de um certo motoqueiro…

Abraços!

Realmente Pirex, um baita dum passeio. Passamos por lá, ontem, 09/11/13, eu e meu filho. Não consegui abrir o teu aquivo da trip, mas compus um roteiro usando as cidades que citaste, e inclui mais alguma coisa que pretendia ver na região. Foram 390 km. Não conheci a Dna Lucia, ela não estava operando a barcaça ( talvez cozinhando, ja que passamos por volta do meio-dia ). Para chegar em São Marcos, pegamos um atalho de terra, que o GPS não conseguia rotear, embora fosse mostrada no display… bastou segui-la. Abraço. Bons caminhos !

Ademir, teu GPS não é Garmin? O atalho de terra que pegamos para chegar a São Marcos foi a partir da RS-122 (quando chegamos em Flores da Cunha, seguimos alguns quilômetros em direção a Antônio Prado).

Grande abraço!

É o mesmo atalho que tomamos, Pirex. O GPS é um Zumo 350, e o mapa utilizado foi o do Projeto Track-Source, ultima versão ( versão 13.10 ). Não teve jeito de rotear, embora aparecesse essa estrada no aparelho, não era reconhecida pelo programa. Abraço

Talvez esse seja o motivo, Ademir: eu não estou usando essa versão do mapa por que as imagens mudaram muito e fiquei receoso de testar em uma motocada (nesse final de semana devo sair sem precisar do GPS e vou levá-lo para ver se os mapas mudaram mesmo). Talvez tenham mudado só na visualização do Map Source, mas preferi usar um antigo por segurança.

Abraço!

Show.. parabens pelas belas imagens Pirex….. nao sabia q tinha belos lugares a ser reconhecidos “explorados“ no nosso estado.

abraco

E quanto mais eu ando, Jean, mais eu percebo que não conheço nada e existem muitos lugares como esse para rodar. Esse ano, por conta da minha correria, foi fraco de motocadas – mas 2014 será melhor.

Grande abraço!

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