Rumo ao Pacífico: 5.000 quilômetros entre Porto Alegre e Viña del Mar


Alcei a perna no pingo / E saí sem rumo certo
Olhei o pampa deserto / E o céu fincado no chão
Troquei as rédeas de mão / Mudei o pala de braço
E vi a lua no espaço / Clareando todo o rincão

Os versos do poeta João da Cunha Vargas (musicados por Vitor Ramil no disco Ramilonga) ecoaram dentro do meu capacete ao longo dos pouco mais de 5 mil quilômetros que rodamos entre a capital de todos os gaúchos e Viña del Mar, comuna chilena localizada na província de Valparaíso.

O plano era simples: cruzar o Pampa e a Cordilheira dos Andes para alcançar o Oceano Pacífico, riscando uma linha quase reta de um lado a outro da América do Sul. Foram 10 dias sem chuva, pneu furado ou problema mecânico, o que nos permitiu aproveitar a neve, as cervejas locais, as parrilladas e muito mais. É o que passo a contar agora.

Motoqueiros na Cordilheira dos Andes

A ida

O primeiro dia de qualquer viagem é sempre de muita empolgação; ainda assim, a BR-290 (que liga Porto Alegre a  Uruguaiana) é uma velha conhecida de todos e não deveria nos surpreender – mas o tempo, quem diria, sim: ninguém apostaria que o dia mais frio de uma motocada através da cordilheira aconteceria quase ao nível do mar.

O dia seguinte começou cedo, com uma sensação térmica bem mais modesta, e depois dos trâmites de entrada na Argentina atacamos o mesmo trecho que percorremos em 2010 até Santa Fe, que no começo está em ótimas condições (com apenas um desvio e vários segmentos duplicados) mas entre San Jaime de la Frontera e Federal o concreto da RN-127 está quebrado ao longo de mais ou menos 20 quilômetros.

Chegamos a San Francisco no meio da tarde, em pleno feriado de 1º de maio, e pudemos ver os parques lotados de pessoas de todas as idades correndo, pedalando ou apenas mateando na sombra. Estávamos atrasados e ficaríamos mais ainda por conta das muitas cidades no caminho até Villa María, onde chegamos já com a noite fechada e, depois de descarregarmos as motos, comemos a primeira de muitas parrilladas.

Com a cabeça pesando mais que o normal (culpa das Quilmes na noite anterior), colocamos as motos na estrada às 7h30min para cumprir a meta do dia: chegar antes da noite em Mendoza. Apesar das paradas, lá pelo meio da tarde avistamos ao longe a pré-cordilheira, uma parede de pedra suntuosa visível a dezenas de quilômetros de distância. Com o sol na testa, entramos em Mendoza e fomos direto ao hotel para os procedimento de praxe (seguidos de uma caminhada pela Plaza Independencia e outra parrillada).

A manhã chegou rápido e com ela o primeiro trecho de chão batido da viagem, entre Mendoza e Uspallata; é quase impossível não parar a cada curva para fotografar o visual lunar da RP-52: são quilômetros de subida, com curva em cima de curva, que desembocam em um planalto a 3.000 metros de altura onde enxergamos, pela primeira vez, a neve no topo das montanhas. Descemos até Uspallata e não demorou para que chegássemos à cordilheira, um lugar de beleza inexplicável: quase sozinhos na estrada, foi possível reduzir a velocidade e contemplar a beleza dos rios, túneis, pontes, morros e da neve que se aproximava cada vez mais da estrada. A intenção inicial era subir até a estátua do Cristo Redentor e cruzar a cordilheira pelo caminho antigo, mas a quantidade de neve impediu que fizéssemos isso – e, a bem da verdade, não conseguimos sequer passar da primeira curva, onde chegamos com muito esforço, alguns sustos, vários escorregões e poucos tombos.

De volta ao asfalto, atravessamos o Túnel do Cristo Redentor e logo chegamos à aduana integrada (do lado chileno): para ingressar no Chile, é preciso descobrir o que fazer e, em seguida, passar por 5 guichês, que carimbarão pelo menos 7 vezes a papelada, para só então ter a moto revistada, cheirada pelos cachorros e revistada novamente. Este processo demorou quase 2 horas, o que fez com que chegássemos tarde da noite em Viña del Mar. A compensação veio no dia seguinte, quando caminhamos pela beira-mar, fomos até Valparaíso, comemos e bebemos nos restaurantes locais e nos preparamos para botar o pé na estrada de volta para casa.

Muitos carimbos

A volta

Sem a necessidade de parar a todo momento para documentar os detalhes, a volta transcorreu com rapidez até a cordilheira, onde encostamos as motos mais uma vez para apreciar o visual ao mesmo tempo belo e assustador da montanha e a neve que chegava ao meio da canela. Voltamos à estrada para passar mais uma vez pela aduana integrada (dessa vez do lado argentino, que possui um procedimento muito mais organizado: os veículos entram em uma fila e ali os documentos são revisados e carimbados; nenhuma mala foi revistada) e descobrimos que um dos integrantes – o mesmo que esqueceu a identidade em 2009 – havia perdido um papel que deveria ser apresentado no regresso à Argentina. Problema resolvido, entramos na fila da vistoria e quando chegou a vez do perdedor de papéis, ele se deu conta que outro documento tinha ficado pelo caminho. Haja coração…

Ainda na cordilheira, visitamos o Parque Provincial Aconcágua, de onde se pode ver o pico de 7.000 metros de altura que dá nome ao parque, e passamos novamente pela Puente del Inca, onde há uma feira permanente de artesanato. Chegamos a Mendoza no final do dia e descansamos as carcaças cansadas, preparando os pés para uma caminhada de vários quilômetros no dia seguinte pela cidade.

Apesar de longa, a motocada do antepenúltimo dia transcorreu com facilidade e só nos demos conta que estávamos quase sem pesos argentinos em Villa María; como era cedo, procuramos uma casa de câmbio e lá fomos informados que o valor mínimo para troca era de R$ 500. Como não tínhamos essa quantidade de reais, fomos à outra casa de câmbio, mas lá não era possível fazer a troca e voltamos à primeira, onde um habilidoso motoqueiro do grupo convenceu a atendente a trocar pouco mais de R$ 200 por pesos. Depois do estresse inicial, para comemorar, resolvemos tomar uma cerveja – mas os cafés do centro não aceitavam cartão de crédito e precisávamos poupar nossos pesos para a gasolina, de forma que compramos 4 cervejas em um supermercado e saímos bebendo pela rua. Enquanto os demais xeretavam uma vitrine, eu tomava minha cerveja olhando para o nada quando uma policial encostou do meu lado e disse:

– É proibido beber na via pública.

Meio atordoados com a carraspana da policial (que ficou nos cuidando com o canto do olho enquanto nos afástavamos), voltamos ao supermercado para terminar de beber as cervejas, onde um dos viajantes teve a ideia de documentar aquela cena inusitada – mas ele mal sacou a máquina fotográfica e foi abordado por uma funcionária do supermercado:

– É proibido fotografar dentro do supermercado.

Com o rabo no meio das pernas (não era proibido), voltamos ao hotel (também não era proibido) e tomamos outras lá (torcendo para que não fosse proibido). Acabamos rindo muito da história toda, mas discretamente: não tínhamos certeza se era proibido ou não.

Por fim, rodamos até Uruguaiana e no dia seguinte de lá para Porto Alegre, fechando com chave de ouro uma viagem perfeita. De minha parte, resta agradecer ao Patrão Velho pela proteção e aos meu companheiros de estrada pela parceria e pela paciência ao longos destes 10 dias.

¡Gracias, bugrada!

Só na estrada

Detalhes da rota

Caminho (por dia) Distância
Porto Alegre (BRA)/Rosário do Sul (BRA)/Uruguaiana (BRA) 630 km
Uruguaiana (BRA)/Federal (ARG)/Santa Fe (ARG)/San Francisco (ARG)/Villa María (ARG) 760 km
Villa María (ARG)/Rio Cuarto (ARG)/La Toma (ARG)/San Luis (ARG)/Mendoza (ARG) 620 km
Mendoza (ARG)/Uspallata (ARG)/Los Andes (CHI)/Quillota (CHI)/Viña del Mar (CHI) 410 km

Apesar da rota escolhida não ser problemática quanto ao piso e a quilometragem diária não ser nenhum absurdo, a experiência nos ensinou algumas lições simples, resultado das decisões que tomamos, que merecem ser compartilhadas:

  1. Na ida, entre Porto Alegre e Uruguaiana, resolvemos almoçar lá pelo meio da tarde por que estávamos com tempo sobrando; como o posto de gasolina onde paramos possuía um restaurante, nos abancamos em uma mesa, comemos feito condenados e depois, já na estrada, a soneira bateu forte. Nos dias seguintes não almoçamos mais, somente comemos lanches leves pelo caminho.
  2. Os 760 km entre Uruguaiana e Villa Maria não seriam demorados de percorrer se não tivéssemos a imigração para passar (em Paso de los Libres) e, maior fator de atraso, várias cidades pequenas para atravessar, onde parávamos em sinaleiras e ficávamos presos atrás de caminhões lentos.
  3. Apesar de termos adquiridos pesos argentinos e chilenos antes de sairmos daqui, muitos postos de gasolina (com preços variando entre R$ 3,30 e R$ 3,40 por litro) e até um hotel não aceitavam cartão de crédito, o que nos levou a precisar trocar novamente reais por pesos argentinos.
  4. Adiante de Mendoza, a beleza se apresenta de várias formas e a cada curva, fazendo com que as muitas paradas para contemplar e fotografar sejam obrigatórias – e isso gera uma demora considerável para rodar míseros 100 km.
  5. Nem todos os hotéis contam com serviço de lavanderia: a solução é levar roupas suficientes para todos os dias da viagem ou – meu caso – lavar as roupas no quarto do hotel e secá-las perto dos aquecedores (as calças e camisas do tipo segunda pele secam de um dia para o outro mesmo sem o aquecedor por perto).
  6. Ao contrário da Argentina, onde pagamos pedágio (R$ 3,50) apenas na entrada do túnel subfluvial entre Parana e Santa Fe, no Chile as motos sempre pagam (R$2,50) para utilizar a estrada.
  7. Que me desculpem os mais ortodoxos, mas o GPS é indispensável nesse tipo de viagem. Mesmo nas cidades maiores, como Mendoza ouViña del Mar, a chegada ao hotel foi facílima; nas estradas, algumas mal sinalizadas e sem viva alma em um raio de quilômetros, saber com segurança para que lado seguir foi tranquilizador.

Equipamentos e itens de apoio

  • Conjunto de chuva (jaqueta, calça e botas)
  • Ferramentas básicas (chaves de boca, allen, torx, fenda, phillips e alicate)
  • Lanterna, fita isolante, estilete, arame, lacre plástico e silver tape
  • Reparo de pneu
  • Trava de disco
  • GPS
  • Medicamentos (para azia e dores de cabeça e musculares)

Números da viagem

  • Distância percorrida: 5.013 km
  • Seguro pessoal: R$ 60
  • Seguro carta verde: R$ 110
  • Hospedagem: R$ 1031
  • Combustível: R$ 576
  • Média de consumo da BMW F 800 GS: 22,6 km/l (melhor: 23,9 km/l; pior: 20,8 km/l)

(N. do E.: para não tornar o relato muito monótono, omiti alguns detalhes da viagem; caso alguém queira uma informação pontual, por favor, anote nos comentários e eu respondo em seguida.)

41 Comentários

Parabéns pela bela viagem! Muito tri que os “pingos” não apresentaram problemas como os “lesão nos cascos” (pneus) e “dor de urina” (motor e alimentação), muy lindas as fotografias. Buenaço em teor, forma e quantia. Vou publicar com os devidos créditos no “facebootchês”! Abraço muy sinchadito, e em breve espero publicar uma das minhas”invernadas”!

Excelente relato Piréx! Deu até uma inveja! HEuaeuha

Como queria fazer uma viagem assim!

Que bom saber que as motos aguentaram bem e que não houveram defeitos de nenhum tipo. Realmente as viagens de hoje em dia são bem mais tranquilas do que as que os motoqueiros da década de 70 e 80 faziam, com motos relativamente precárias e sem auxílios de navegação. Mas isso não elimina o barato de conseguir realizar um desafio desses. Parabéns!

E as dicas são valiosíssimas!

Caraca Piréx, que viagem! Lendo o texto fiquei com uma baita vontade de comer uma parrilada!

E que fotos perfeitas, você fez curso de fotografia, sua máquina é muito muito boa, ou as paisagens ajudavam muito? =)

Só fiquei curioso sobre como é conduzir a moto na neve, vi uma das fotos onde a tua moto está bem no meio da neve, é muito perigoso? ( mas se for proibido contar isso, assim como tomar cerveja na rua, bater fotos no mercado, não precisa contar..kkk )

Abraço e parabéns pelo belo e inspirador relato!

Grande Piréx! Parabéns por mais essa motocada, dessa vez internacional. O roteiro a maioria conhece, de relatos, mas o que importa mesmo é vc colocar sua moto lá, assim como vcs fizeram. Abraço!

Caro mestre e demais,

agora só falta a QG para colocarmos as entrelinhas do passeio em dia, por exemplo termos mais detalhes dos trâmites de fronteira e do seguro carta verde por quanto tempo deve ser feito?
E também quais países aceitam isto numa boa, ou tem que ser feito para um determinado país de cada vez…

Ovelha
Curiosos e falador uma barbaridade…

Simplesmente maravilhosa essa viagem!!eu ainda sou calouro, mas sigo esses passos.

A amarelinha vai deixar saudades !!

Vou me render ao imperialismo Júnior !!

Dos meo!!! Que baita viagem che loco!!!

[]’s Duduzão.

Carlos:
A viagem foi tranquila demais. Zero problemas. Obrigado por compartilhar o artigo na tua timeline do Facebook.

Daniel:
A empreitada segue divertida, mas no passado – sem o santo GPS – a coisa era bem mais trabalhosa. Hoje em dia até o celular pode nos socorrer se for preciso. Viste a distribuição dos modelos? Era 3 DLs… E todas, DLs e GS, se comportaram muito bem no barro, na altitude e com as várias gasolinas que utilizamos.

Marcelo:
Eu sou suspeito para falar, já que sou um carnívoro assumido, mas uma boa parrillada vale ouro. Eu nunca fiz curso de fotografia, mas no passado li muita coisa sobre o assunto e sou um fotógrafo esforçado. Eu usei uma câmera compacta (Sony W320) já bem rodada e a maioria das fotos recebeu um tratamento leve antes da publicação (corte e ajuste na curva de cor). A condução na neve é um problema por que não é possível saber o que tem debaixo dela: quando era um piso firme, tudo tranquilo… Mas quando era barro, foi impossível manter a direção ou ficar sobre a moto (se serve de consolo, a neve suaviza o tombo).

Ribas:
É exatamente o que penso. E apesar de eu ter registrado quase tudo por onde passamos, sempre ficávamos contemplando aquelas maravilhas por um tempo. Ler um relato é bom, ver as imagens melhor ainda, mas ao vivo a coisa muda de figura. Espero que meu texto e minhas imagens sirvam de incentivo como as dos outros serviram para mim.

Ovelha:
Os trâmites de fronteira mais complicados são aqueles que descrevi; os demais, como na entrada e saída em Paso de los Libres, são muito tranquilos e só dependem do RG e do documento da moto. A carta verde precisa ser feita aqui (a maioria das seguradoras faz e algumas até dão de brinde para os segurados), com a duração adequada (fiz para 8 dias, tempo que estaríamos na Argentina e no Chile) e vale em todo Mercosul.

Samuel:
Incentivar outros motociclistas a viajar é um dos principais objetivos do Diário de Bordo. Em algum aspecto, todos somos calouros e sempre há algo a aprender.

Tara:
Mas depois da exibição de gala vais ter coragem de vender a amarelona?

Duduzão:
Foi realmente uma bela viagem. Recomendo.

Abraços!

EXCELENTE !

Que baita viagem ! Espetáculo gurizada !

Boa média da BMW Piréx, achei justo o custo com combustível.

Mas é difícil de tomar uma cervejinha em Villa Maria hein Tchê ? haha.

Forte abraço !

Mas que espetáculo! É a sub-facção offroad dos Ilibados fazendo história! Excelentes o relato e as fotos, Piréx. As máquinas paradas no meio da neve ficaram fantásticas! E os paredões das Cordilheiras dos Andes são impressionantes, mesmo!

Parabéns e aguardamos ansiosos a QG especial com mais causos da aventura.

Kleber Diabolin.

A POLICIA ARGENTINA NAO PEDIU O ESTEPE DA MOTO ? NEM O FAROL DE NEBLINA ?

Não faz nem uma semana e, lendo o texto, já bateu uma saudade daquelas curvas.
Ficou show de bola, tanto o texto quanto a seleção das imagens, putaquelosparió.
Valeu pela parceria.

AÊ BUGRADA!!!!

Sensacional a seleção das fotos. Os relatos vou deixar para ler em casa com mais calma. Ah, e perder aquele papelzinho não foi nada. Pior foi dizer que minha moto era “Plata” depois de ter dito cinza repetidas vezes e a chilena não entender. Essa eu não contei para não deixá-los preoucupados. hiéhiéhié. Valeu a parceria bugrada!!!!

Show de bola, Pipi!
Baita viagem e, pelo relato, só alegrias e histórias fantásticas!
Belas fotos e aguardemos a próxima QG para colocarmos os assuntos em dia.
Abs!

Mas que bagualada loka de especial.

Como não poderia deixar de ser, vijei junto durante a leitura.

Parabéns

Grande pessoa, que bela viagem, as fotos ficaram lindas, mas como sabemos não representam 10% da beleza real, e do prazer de se estar em loco para tira-las.
Saudades tua, nos encontramos em Treze Ervilhas.
Até Mais
Minerin.

César:
Essa é a palavra que define muito bem essa viagem. Só de rever as imagens já dá vontade de subir na moto e começar tudo outra vez.

Roger:
E essa média poderia ser melhor ainda se mantivéssemos os 100 km/h das nossas estradas (lá, a nossa velocidade de cruzeiro foi a das estradas deles, entre 110 e 130 km/h). No final das contas, acabamos tomando várias geladas na frente do hotel (onde podíamos correr para o quarto caso a policial aparecesse).

Diabolin:
Parece que essa semana tem Quinta Gaudéria para colocar o papo em dia.

Daniel:
Fomos atacados em todos os postos policiais de Entre Ríos, uma vez em Mendoza e nenhuma no Chile; exceto por uma única autoridade (fora de um posto policial) que pediu uma “contribuición para la ruta”, não tivemos nenhum problema desse tipo. Para conhecimento, no hotel de Uruguaiana tivemos acesso a um documento da embaixada da Argentina dizendo que o mata-fuego (extintor de incêndio) é um item obrigatório e pode ser exigido pela polícia.

Dedé:
Quando é a próxima?

Landão:
Nosso portunhol não fez muito sucesso em terras argentinas e menos ainda nas chilenas. Nem o nome certo do hotel eu consegui dizer quando chegamos em Viña del Mar. Precisamos passar mais uns 30 dias por lá para resolver esse problema.

Mansan:
E essas são as histórias publicáveis… As impublicáveis só numa mesa de bar.

Avelino:
Preciso dedurar: um integrante do bonde passou a perna em todos (todos mesmo, indiscriminadamente) na ida e na volta. Outro dia te conto essa história.

Minerin:
É verdade. As imagens são impressionantes, mas ao vivo o assombro é maior. Nos próximos dias vou publicar um ou dois vídeos para atiçar os viajantes mais ainda. Vamos ver se a patroa me libera para eu motocar até Treze Tílias.

Abraços!

Mestres e amigos,

apenas para lembrar ao mestre Minerin que em treze ervilhas não terá a convenção das amigas dele…

Ovelha

Hoje ainda mais falador…

Olá Pirex, como vai?

Sou Pedreira (da lista Shadow) e tenho que ser honesto, estou morrendo de invejaaaaa!!!!!

Cara, parabéns pela trip, pelo relato resumo mais muito cativante, informativo e magnifico!!!! As fotos então são maravilhosas e conseguem nos deixar ainda mais com vontade de fazer essa trip, meu sonho de consumo. Já estive na Argentina, Chile, Uruguay, mas de avião que é legal, menos cansativo, mas entediante para nossos espiritos aventureiros.
Parabéns por compartir conosco essa aventura, que DEUS ilumine seu caminho para lhe dar muitas mais oportunidades como essa.
Pergunta: na ida vi alguns trechos de terra bem difíceis, estradinhas bem precárias mesmo até chegar na travessia da cordilheira. Esse é o unico caminho? Por que se for acho que de shadow fica dificil né, o melhor são as bigtrails mesmo.

Um forte abraço!

Pedreira

Karáka Pirex, que viagem divina! E as fotos então! Um dia chego lá. Só viajei pelo Brasil 59 dias, 13.700 km. Ida pelo litoral e volta pelo meio do Brasil.
Parabéns e que venham outras mais, cheias de aventuras e emoções e muitos kms mais felizes.
Grande abraço.
Tânia Calgaro

Cara que viajem parabéns mesmo curti muito em outubro deste ano vou com a minha esposa para Montevideu e Buenos Aires, toda dica sera bem vinda agradeço se puder passar abraços.

Parabéns ao quarteto. Coisa de cinema literalmente.
eu sempre digo que o quando se compra uma moto tem que o batismo é obrigatório na estrada que liga Morungaba a Amparo, e o que é mais que obrigação de quem gosta de andar de moto é atravessar as Cordilheiras.
Só estando lá para saber o quão pequenos somos.
Piréx (re)viajei no relato e nas fotos.
Parabéns novamente.
Seo Craudio
ps- moto nova devidamente batizada em Morungaba…rs

Fabio:
Nós optamos por estradas de chão para aumentar um pouco a diversão, mas é possível utilizar apenas estradas asfaltadas daqui até lá. Exceto por alguns pequenos trechos na Argentina, o asfalto está em perfeitas condições.

Tania:
Certamente virão outras. A vontade é fazer uma dessas por mês.

Sahara:
Duas motocadas envolvendo Montevidéu e Buenos Aires estão publicadas aqui no blog: uma é a 1000 quilômetros de Brasil, 1000 de Uruguai e a outra Caminhos do Mercosul: Brasil, Argentina e Uruguai. Dê uma olhada nos artigos e se tiveres alguma dúvida, entre em contato.

Seo Craudio:
Disseste tudo. Atesto e dou fé.

Abraços!

Parabéns a você Piréx e a todos os intregrantes do grupo!

O relato e as fotos compartilhadas nos fez viajar com vocês. E a próxima, divulgue para que possamos embarcar com vocês e fazer parte dessa história.

Grande abraço

Grandes… Ala pucha! Isso sim! Pra quem tá de longe, só lendo, parece tortura afegã. Grande abraço a vocês, e que várias outras possam surgir para que possamos, meio que de longe, acompanha-los nas ‘rutas’.

uma massa pirex, sem para fuso quebrado e rococós e tal, belas fotos, roteiro magnifico e “povo bão”

Leandro:
Divulgaremos com certeza.

ZeMa:
Não é tortura não, camarada… É para animar os amigos e fazer com que coloquem as motos na estrada. Quando olho os vídeos novamente, esqueço de todo o cansaço da empreitada e dá vontade de voltar àqueles lugares.

Rudy:
Nem sempre é possível, mas certamente rodar essa distância sem nenhum problema é bom demais. Os problemas fazer parte da viagem, mas não tê-los é melhor.

Abraços!

IUhuuuuu….

Grande aventura realizada, parabéns aos quatro motoqueiros malvadões.
Coisa linda as imagens, emocionante o relato da viagem.
Fiquei maravilhado com os feitos do grupo e viajei junto só na leitura.
Mas se Deus permitir em 2013 estaremos lá pras banda do Chile tbm, viver ao vivo e a cores
esta viagem que agora foi só virtual, porém linda e maravilhosa.

Saúde e sucesso a todos que nos proporcionaram esta viagem virtual

Abraços XkruTZados

31/05/2012

Olá, Pirex. Sou Jairo, de Bom Principio, Terra do Motomorango. Li hoje o relato da viagem de vocês e me senti de volta à “ruta”. Em agosto de 2011 realizei meu sonho: depois da décima de várias motos comprei minha GS 800 na SUD/POA. E iniciei o planejamento de minha primeira viagem internacional de moto, um desafio que me instigou por 10 anos: Bom Principio a Miellipila, ao sul de Santiago, no litoral do Chile. Doze dias de uma viagem incrível, da qual guardo cada cada km rodado na retina dos olhos. De Bom Principio a Jaguarão, sózinho, segui pelo Uruguai até Colón. Entrei na Agentina tendo como destino a cidade de San Pedro, provincia de Buenos Aires. Lá procuraria pela casa de um amigo recente, Oscar Garrote, mais conhecido como Peluca, que veio a Bom Principio na primeira edição do Motomorango, em abril de 2010 e que seria meu companheiro de viagem até o Chile. Chegando em San Pedro já me esperavam, Peluca e sua família. E aí entra a verdadeira mágica do espírito das duas rodas: em terra estrangeira, junto a pessoas que nunca vira, sou acolhido como se já fosse da casa a tempo. No dia seguinte pegamos a estrada: San Pedro-Arrecifes-Pergamino-Ruta 7 a Mendoza-Uspallata-Santiago-Miellipila. A travessia da cordilheira é algo mágico, é de perder o fôlego, fica-se em estado de graça. Estupendo. Em Miellipila um encontro de motociclistas muito animado. Como o Peluca, solteiro, estava de férias e conhecera uma garota chilena no encontro, resolveu permanecer no Chile por mais alguns dias. Foram cinco dias viajando na companhia de um ser humano excepcional, um verdadeiro irmão da estrada. De novo sozinho, no dia seguinte voltei a Santiago. Conheci uma cidade muito bonita, de gente elegante e hábitos educados. Saí de lá às 9:00 da manhá para tomar o rumo de casa. Em Los Andes abasteço no último posto Copec, olho para a cordilheira e pergunto ao frentista o significado daquela névoa toda no topo. No es normal – me diz. Começo a subir os Caracoles. A cada curva mais névoa. Logo chuva, em seguida a neve. Sózinho na estrada, o mostrador de temperatura começou a me assustar: 7º, 5º, 0º, -2º, -5º, -8º. Loucura. Frio demais. Os punhos aquecidos da moto já não resolviam. Nenhum tráfego de outros veiculos. E eu subindo, com mais uns 40 km pela frente para chegar ao menos até o túnel e me abrigar. Ando, ando e, enfim, vejo uma mancha negra no paredão da montanha. Era a boca do túnel. Arrisquei-me a parar para tirar rápidas fotos, estava quase congelando. Não podia deixar de registrar, senão ninguém acreditaria. Tudo coberto de neve. Entrando no túnel, no sentido AR/CH, dezenas de veículos parados, esperando o fim da nevasca e a liberação da pista. Em direção à AR nada, nenhum veículo. Segui até a saida do túnel e, surpresa, tempo quase normal no lado argentino. Só frio. Toquei até Uspallata, me hospedei no El Montañez, onde um banho quente, calefação e roupas secas me livraram de uma quase hipotermia. Depois uma pizza generosa, uma cerveja Andes escura e cama quente. No dia seguinte levantei às 6:00, pois queria sair cedo. Fiquei meio traumatizado com a experiência do dia anterior. Abro as cortinas e, não acreditei, meio metro de neve por tudo. Saí só às 10:00. O retorno foi mais tranquilo. Um dia em Mendoza e mais tres para voltar, curtindo paradas gostosas pelo caminho, conhecendo novos amigos de motogrupos que ia encontrando pela ruta. Almocei duas vezes em casa de pessoas simples que nunca havia visto e que não me deixaram seguir sem aceitar seu convite. Muita curiosidade pelo Brasil, nossa economia e uma ponta de inveja disfarçada. Assuntos mais delicados, futebol e política foram diplomáticamente evitados, afinal, estava sózinho em terra estranha. Mas, de modo geral, é um povo muito acolhedor. Especialmente o das comunidades menores do interior, mais distante da região de B. Aires. Passei novamente por San Pedro, me despedi dos pais do Peluca e, s´imbora… Zárate, Colón, Paysandú e o retorno por Rivera/Livramento. Algumas compras, regalos para as pessoas queridas e o retorno ao Rio Grande Amado: que sentimento maravilhoso. Não há terra igual. Depois a BR-290 e de novo a GS 800 solta o ronco. É mesmo uma máquina estupenda. Nenhum cansaço, e olha que estou com 57. Consumo médio: 22,5 km/l. 6.990 km rodados e fotos, muitas fotos. Foi a melhor viagem de minha vida. À noitinha, chegada em Bom Principio comemorada na companhia da familia e do meu amigo Deco. Juntos detonamos um litro de J. Walker Blue especialmente comprado para este momento especial.
Pirex, um grande abraço para ti e todos os que te acompanham. Obrigado por poder compartilhar esta experiência vocês.

Jairo Ledur – http://www.giramundomotogrupo.com.br – Bom Principio RS

XuKruTZ:
Já antecipo meus votos de uma bela viagem para vocês. Tenho certeza que será uma experiência para contar aos netos.

Jairo:
Viajei junto no teu relato. Obrigado por compartilhar tua experiência conosco… Certamente será de grande utilidade para quem procura informações sobre essa região.

Abraços!

Pirex:

Mto legal o relato.

Eu e meu primo estamos pensando em fazer uma viagem dessa.

Poderia, por favor, passar por mail o roteiro (caminho. estradas, cidades, etc)?

Valeu, abs,

Claro, Andre. Te encaminho os dados por e-mail.

Grande abraço!

Olá Piréx.
Com base nas tuas indicações procurei o pessoal da Acrilsul, em Gravataí, para instalar o pára-brisa maior na minha GS 800. Originalmente a bolha da GS é muito pequena. Já havia instalado um defletor que adquiri de S. Paulo mas o resultado também ficou aquém do esperado. O problema está no fato de que a bolha original vai se tornando mais estreita à medida que se eleva o que provoca turbulência, pressão do ar contra o peito, sobre os ombros e excessivo ruido no capacete, prejudicando a audição. O pára-brisa da Acrilsul é realmente de primeira. Tomando por base o modelo original da GS 1200, é feito em acrílico de 4 mm. Utilizando os mesmos pontos de fixação originais, é super resistente e não vibra nada. E, muito importante, paguei R$ 270,00, ou seja, em torno de 20 % do valor do equipamento original BMW. De quebra, o atendimento do pessoal da Acrilsul foi exemplar.
Muito obrigado pela dica. Além do conforto propiciado ainda economizei uma boa grana para investir em outros acessórios.
Parabéns pelo teu trabalho e um grande abraço!

Jairo Ledur

Obrigado pela informação, Jairo. Se quiseres compartilhar uma imagem da GS com o para-brisa da Acrilsul, mande uma foto para webmaster arroba pirex.blog.br e publico aqui para que os demais interessados vejam o resultado.

Forte abraço!

Prezados:

O Jairo fez a gentileza de me encaminhar 4 imagens do para-brisa feito pela Acrilsul para a F800GS dele e autorizou a publicação aqui para que sirvam como sugestão a quem esteja procurando por algo semelhante. Seguem abaixo:

Imagem 1 – Frente
Imagem 2 – Lado direito
Imagem 3 – Painel
Imagem 4 – Comparação com o original

Obrigado novamente, Jairo.

Piréx, sou assíduo leitor desse Diário de Bordo. Parabéns pela qualidade do conteúdo! Faço parte do Roraima Moto Clube, em Boa Vista(RR) e na oportunidade, estou divulgando o Festival de los Clubes 2012, nos dias 13, 14, 15 e 16 de setembro na Ilha de Margarita (Caribe), Venezuela. Para mais informações, acesse o link http://www.mototuristas.com/inicio/item/885-festival-de-los-clubes-margarita-2012.html
O RMC fará uma motocada até a Ilha e, caso queira se juntar nessa aventura, faça-nos um contato. Abraços!

Luciano, vontade não me falta… Certamente seria uma grande viagem. Bom passeio para vocês: aproveitem e depois compartilhem conosco as imagens dessa festa.

Abraço!

Caraca!

Terceira vez que leio este relato.
Toda vez passo mal.
Descobri que esqueço de respirar enquanto leio… rsrsrs…

Cara! É de tirar o fôlego.

Ainda faço uma dessa… mas com fôlego.

As fotos já relatam tudo

Wilton, recomendo que faças essa: ao vivo o visual é de tirar o fôlego mais ainda. As fotos e os vídeos dão uma boa ideia do que é aquilo, mas estar lá é difícil de descrever. Tenho certeza que ninguém se arrepende quando coloca a cordilheira como um dos destinos.

Grande abraço!

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