Troca de óleo da BMW F 800 GS (31.500 km)


O ano de 2014 passou voando e me pegou com as calças na mão: sem uma viagem grande, rodei pouco com a GS e não cheguei nem perto dos 5.000 quilômetros desde a última troca de óleo. Acostumado a executar as trocas apenas pela quilometragem, não me dei conta que estava utilizando o mesmo óleo há 9 meses (o recomendado pelos fabricantes é, via de regra, 6 meses) e o uso essencialmente urbano desde a última troca certamente degradou o lubrificante mais do que o normal.

No dia em que me dei conta do esquecimento, aproveitei o motor quente ao chegar em casa depois do trabalho para fazer a troca. Visualmente, o que é muito pouco, não me pareceu que o óleo usado tivesse algum problema (provavelmente a validade ainda estava dentro da margem de segurança); testando a viscosidade com os dedos, o que também não é nada técnico, tudo aparentava estar dentro da normalidade. Óleo trocado, nível testado, tudo na mais santa paz novamente.

Vira e mexe, nos papos de mesa de bar, surge a questão do aperto do filtro do óleo: é só apertar com a mão? Aperta com a chave? Quanto? O filtro da K&N vem com a especificação impressa no corpo e encerra a discussão: 7/8 de volta depois da borracha de vedação tocar o cárter (ou 2~2,4 kgf/m); já na caixa do Athena, a instrução é para apertar 3/4 de volta.

Conforme eu havia escrito em agosto de 2013, guardei os filtros usados para, com um de cada fabricante que já usei, abrir um por um e verificar se são construídos de maneira semelhante. Com pequenas diferenças (da esquerda para a direita: Athena, K&N e o da concessionária), todos os três possuem a válvula de by-pass, minha maior curiosidade, e demandaram o mesmo esforço para a serra romper a carcaça – o que, grosso modo, indica uma resistência semelhante à pressão.

Filtros de óleo

Filtros de óleo

Filtros de óleo

O filtro colocado pela concessionária difere ligeiramente dos outros dois: ele possui uma tela na válvula (talvez para que, com o elemento filtrante sujo a ponto de bloquear a passagem de óleo e a consequente abertura da válvula de by-pass, a tela impeça a passagem de resíduos maiores), uma mola nitidamente mais resistente na válvula, uma fita ao redor do elemento filtrante e não possui a borracha de vedação que o Athena e o K&N possuem entre a carcaça e o filtro.

Sendo os três filtros compatíveis com a F 800 GS, era de se esperar que todos contivessem os mecanismos necessários para lubrificar com segurança as partes móveis do motor, mas este editor acredita que o seguro morreu de velho e gosta de conferir tudo duas vezes. Cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça.

11 Comentários

Boa Pirex

Muito bacana essa análise dos filtros. Eu nunca tinha visto assim abertos.
Feliz 2015 pra você e familia. Desejo que troques o óleo pelo menos umas três vezes … 🙂

Grande abraço.

Esse guri leva algum jeito pra escritor … kkk
Parabéns Piréx …

Olá Pirex,
Muito bom seu relato, e uma rara oportunidade de comparativo. Sobre o filtro “original”, entendo que a mola sendo mais forte poderia eventualmente prejudicar a bomba de óleo, caso o elemento do filtro fique saturado. Claro que o ideal não é deixar isto acontecer … Outro aspecto que estranhei é a falta da vedação. será que não poderia ocorrer algum by-pass no fluxo do óleo ? Já este elemento parece ter maior altura em relação aos demais, o que pode significar uma maior área de filtragem, porém a fita que nele existe, poderia prejudicá-lo neste quesito também. a propósito, qual seria sua finalidade ?

Valeu, abraço e um bom 2015 !

Urik:
Esse sim é um grande desejo para 2015… Vou estender a todos por aqui: que troquemos pelo menos 3 vezes o óleo da moto ao longo desse ano. Não seria nada ruim rodar 15.000 km até dezembro.

Obrigado, Mauro!

Fernando:
Foi exatamente o que pensei (sobre a resistência da mola da válvula de by-pass). Como não sabemos a pressão da bomba e eu não medi com um instrumento preciso, podemos imaginar também que os outros dois abririam antes em caso de saturação. Mas são dois contra um e é possível perceber a diferença empurrando com o dedo, então é no mínimo curioso. Quando vi os filtros desmontados, percebi a falta da borracha interna de vedação e achei estranho; procurei por todos os cantos onde estava trabalhando e não encontrei. Realmente não estava na peça. Por fim, o único objetivo que pude imaginar para a fita é reduzir a vazão do filtro, principalmente por que ele é maior que os outros dois e a bomba deve ter uma faixa aceitável de passagem de óleo.

Abraços!

Olá Pirex,

infelizmente minha 800 não é rodada igual a sua, mas seus posts de manutenção são muito úteis. Sempre fiz minhas revisões na autorizada, pela garantia. Minha moto está com 13k, e agora quero fazer por minha conta mesmo. Mas tenho algumas duvidas:

Como você reset o computador de bordo, para não ficar mostrando data da próxima revisão?
Na BMW falaram que vão trocar o óleo da suspensão, não tenho a capacidade nem as ferramentas para essa troca. Você ja trocou? com quantos mil/anos?

Obrigado pela ajuda. abraço

Bruno:

Até onde sei, exceto pelo computador da concessionária, só é possível apagar o aviso “service” do painel através de equipamentos de diagnóstico como o GS-911.

Ainda não executei a troca do óleo da suspensão e é uma das coisas que está na minha lista de pendências. Não tenho certeza se terei a habilidade e as ferramentas necessárias, mas vou estudar o caso. O mesmo vale para o líquido de arrefecimento.

Grande abraço!

Olá Piréx,

Parabéns pela dedicação nos relatos tão bem escritos, além dos conteúdos, é claro. Localizei seu blog quando buscava informações sobre durabilidade do óleo lubrificante na moto.

Ao contrário de você, tudo mando fazer na concessionária ou no mecânico … , comodismo por morar em apartamento, sei lá. Agora, lendo suas razões para tal: conhecimento, prazer e custo, tenho que rever meus conceitos e práticas, principalmente pelos 02 primeiros.

Um forte abs.

Jesus:

Compartilhar experiências é um dos principais objetivos do blog. Com a publicação dessas experiências (minhas e dos demais que escrevem nos comentários), mais e mais pessoas são encorajadas a se envolver mais com a companheira de ruas e estradas.

Eu vejo um terceiro grande benefício, além do prazer e da economia, em meter a mão na graxa: é de grande importância saber como resolver os problemas mais comuns da própria moto para não ficar na mão dos picaretas. São coisas simples que resolvem grandes problemas, como retirar uma roda para levar até o borracheiro em vez de carregar a moto toda.

Eu tive uma experiência terrível com isso há muito tempo, quando um borracheiro desmontou a roda traseira de uma Agrale Explorer para consertar o pneu e não sabia remontar (foi quando decidi que precisava aprender o básico). Imagine esse mesmo problema na GS, onde basta um esbarrão no sensor do ABS para o prejuízo ser grande.

Forte abraço e boas manutenções!

Piréx, me tire uma dúvida.
O óleo utilizado é o 10w40 para 4T, correto? Esse óleo é o semi sintético?
Pergunto porque a motul tem um com rótulo marrom (creio eu, semi sintético) e um do rótulo verde (o qual acredito ser sintético).
Grato.

Curuja, essa coisa dos rótulos da Motul é realmente confusa; não sei qual é a política da fábrica, mas já vi pessoas mostrando dois rótulos diferentes para o mesmo produto e sugerindo que talvez alguém estivesse fazendo falsificações. Se olhares nas lojas na internet, vais ver os dois rótulos (um verde e outro marrom) com a mesma especificação: Motul 5100, 10w40, 4T, ester, semissintético (que a Motul chama de Technosynthese). Nunca soube de nenhuma evidência essa falsificação, então imagino que seja apenas uma modernização na embalagem.

Abraço!

Compreendi Piréx,
Muito obrigado pela dica e parabéns pelo blog.

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