Diário de Bordo: 5 viagens pelo Brasil, Uruguay, Argentina e Chile


*** ATUALIZAÇÃO:

Agora que estou chegando ao último envio dos exemplares do primeiro lote, quero agradecer a todos vocês novamente pelo apoio: o retorno que recebi foi muito maior do que eu poderia imaginar no começo disso tudo. Foram horas de conversa sobre viagens, planos para o futuro e muitos novos amigos. Quero ainda destacar a ajuda do Leandro, do @restauranterenascencaosorio, e do André, da @bassanisabores, que gentilmente cederam um espaço para a venda do livro (nem preciso dizer que recomendo muito esses dois).

Abraços gigantes a todos e muito obrigado!

 

Amigos, amigas:

No segundo semestre de 2020, resolvi desengavetar o plano antigo de retirar do mundo virtual algumas histórias do Diário de Bordo. Então, depois de muitos ajustes, edições de imagens, reimpressões e revisões, trago a vocês o livro “Diário de Bordo: 5 viagens pelo Brasil, Uruguay, Argentina e Chile”, com 114 páginas incluindo um caderno com 24 delas de fotos impressas em papel couché.

Para o primeiro lote de livros, o valor da unidade é de R$ 25,00 (com frete grátis para todo o Brasil): o pagamento pode ser feito por PIX (me peçam os dados aqui ou por e-mail, whatsapp, Instagram, etc), PagSeguro ou no site da Amazon:

Pague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!

Marquem aqui nos comentários os amigos que possam se interessar pelo livro, compartilhem o link desta publicação nos grupos de whatsapp e ajudem esse motoqueiro/fotógrafo/escritor a tirar do papel a próxima viagem (que já está lentamente ganhando forma).

Abraços!

Pneu furado: como remover a roda dianteira da Triumph Tiger Explorer?


Rodando de volta para casa ao final de uma sexta-feira de trabalho, fui surpreendido por uma chuva torrencial – e até aí nada de mais: chegar molhado para trabalhar é complicado, mas na volta não tem problema nenhum. Na verdade, as ruas alagadas da zona sul de Porto Alegre (RS) não seriam um problema SE a chuva não tivesse carregado um parafuso que eu prontamente catei com a roda dianteira e só fui me dar conta no domingo.

Parafuso

Com a moto na garagem e o pneu murcho, o jeito foi tirar a roda para levá-la para o conserto; não é um procedimento dos mais complicados, mas seguramente é útil saber como fazer, principalmente para quem viaja e eventualmente precisa reparar o pneu em um local com poucos recursos e profissionais sem experiência com rodas de moto. Sendo assim, compartilho aqui os 5 passos que executei para tirar a roda dianteira da Explorer:

1. Coloque a moto no cavalete central e levante a roda dianteira: há várias formas de fazer isso com segurança – e muitas outras de não fazer, como levantar com o macaco do carro apoiado no cárter da moto -, mas no meu caso, na garagem de casa, tive que improvisar (o que não recomendo): passei uma corda pelos apoios do garupa e por baixo de uma caixa pesada, o que fez um contrapeso suficiente para tirar a roda dianteira do chão. Dependendo do nível de aperto do eixo, talvez seja necessário afrouxá-lo um pouco antes de levantar a roda: depois disso, a única forma de ter um pouco de firmeza é travar a coluna da direção.

2. Remova (pelo menos) a pinça direita: são apenas dois parafusos allen (8 mm) que prendem cada pinça e a esquerda é onde está o sensor do ABS. Removendo as duas pinças a roda sai com mais facilidade, mas aí são duas que precisam ser protegidas (veja o item 3) durante o resto do trabalho. Seja como for, removendo a direita ou ambas, remova também o sensor do ABS (veja o item 4) para evitar que ele seja danificado na retirada ou colocação da roda pelo disco ou pelo aro.

Pinça direita

3. Proteja as pinças e a carenagem: para evitar que as mangueiras ficassem sustentando todo o peso da pinça durante o tempo que levei para consertar o pneu, usei um par de extensores e pendurei a pinça na manopla; como ela ficou na altura da carenagem, coloquei um pedaço de pano para evitar riscos na pintura. Velho lembrete de sempre: nada de tocar no manete do freio para evitar que as pastilhas saiam do lugar. Apenas com o tira-e-bota da roda já é possível que elas se movimentem e pode ser necessário separá-las com uma chave de fenda para que os discos voltem aos seus lugares com facilidade (se uma delas cair, é só encaixá-la novamente na pinça).

Pinça direita pendurada

4. Remova o sensor do ABS do suporte da pinça: retirando um parafuso torx (T30) que fica ao lado da pinça esquerda, o sensor fica preso ao seu fio; como ele não pesa quase nada (e custa muito caro), basta mantê-lo fora do caminho. Na posição em que ele é instalado, a distância do sensor para o disco interno é muito pequena e remover ou colocar a roda sem esbarrar nele é praticamente impossível. Além disso, quando soltá-lo, preste atenção na ordem das coisas (parafuso, sensor, arruela, etc) para recolocá-lo no lugar exatamente da mesma forma: mudar a arruela de lugar, por exemplo, pode aproximar demais o sensor do disco e até danificar um dos dois (ou os dois).

ABS dianteiro

5. Afrouxe os dois parafusos (allen 6 mm) que prendem o eixo e depois o próprio (allen 17 mm): não há necessidade de removê-los, só afrouxá-los para permitir que o próprio eixo seja removido. Antes de retirar completamente o eixo vale a pena olhar a posição dos espaçadores: o da direita possui duas ranhuras e é maior que o da esquerda; como o encaixe deixa uma marca no espaçador, fica fácil de recolocá-los na mesma posição em que estavam. Sentar no chão ao lado da roda e colocar os dois pés sob o pneu pode ajudar a aliviar o peso no eixo, tornando mais fácil o processo de retirá-lo e colocá-lo novamente.

Eixo dianteiro

Roda fora do lugar, é hora de levar o pneu para o conserto e na volta executar os passos no sentido inverso para recolocá-la no lugar (um pouco de graxa no eixo pode ajudar na hora de encaixá-lo). Além de ser um exercício útil para ajudar nos perrengues de beira de estrada, dar manutenção na moto é uma terapia que não tem preço.

(N. do E.: apesar da remoção da roda dianteira consistir em um procedimento simples, não esqueça de revisar detalhadamente cada item após a montagem, uma vez que estamos mexendo, ao mesmo tempo, nos controles de direção e parada. É um conhecimento de extrema utilidade mas que exige responsabilidade: após esse tipo de manutenção, tenha sido executada por você ou outra pessoa, teste os freios e o guidão ANTES de colocar a moto em movimento.)

Serra do Corvo Branco e Serra do Rio do Rastro


Rota: Porto Alegre (RS) / Torres (RS) / Tubarão (SC) / Braço do Norte (SC) / Grão Pará (SC) / Urubici (SC) / Bom Jardim da Serra (SC) / Lauro Müller (SC) / Criciúma (SC) / Araranguá (SC) / Torres (RS) / Porto Alegre (RS)

Distância percorrida: 870 km

A Serra do Rio do Rastro sempre foi um destino interessante para a maioria dos motociclistas, mesmo os que já passaram por ela (que é o meu caso, sempre acabo voltando lá); muito próximo dela está a Serra do Corvo Branco – que ganhou esse nome por conta do Urubu-Rei, chamado erroneamente de corvo -, por onde passa a SC-370, estrada que liga os municípios de Grão Pará e Urubici e onde, por uma dessas coisas sem explicação, eu nunca havia passado. Para finalmente conhecer a Serra do Corvo Branco, fiz uma rota subindo por ela, de Grão Pará a Urubici, e descendo pela Serra do Rio do Rastro.

Até Grão Pará a estrada é pavimentada, então não há o que comentar: dali em diante começam os trechos de chão batido, com algumas sobras de asfaltamentos passados, mas nada que possa preocupar. No pé da serra, entretanto, o panorama começa a mudar com subidas íngremes, curvas fechadas, pedras soltas e um trânsito acima do que eu esperava, inclusive de caminhões: na maior parte da estrada os carros não passam lado a lado, em algumas nem a moto e um carro (buzine ao entrar nas curvas), então o jeito é parar e procurar um canto seguro. Isso não seria um problema se o piso fosse mais estável, então é preciso pensar bem cada movimento principalmente se o visitante estiver com uma moto grande, o que não recomendo pela facilidade com que se pode cair ou fritar a embreagem recomeçando a subida após um encontro com um veículo.

As paisagens, por outro lado, valem a pena. Para onde quer que se olhe, há escarpas, pequenas cascatas, floresta nativa, uma festa verde. Após poucos quilômetros de subida está a pedra cortada, parte inicial da serra para quem vem no sentido contrário (de Urubici a Grão Pará), que é justamente o caminho que recomendo para quem quiser conhecer o Corvo Branco com tranquilidade.

Escalada a Serra do Corvo Branco restava descer a Serra do Rio do Rastro, um dos destinos obrigatórios para motociclistas que possui paisagens de tirar o fôlego. Em questão de minutos, entre Urubici e Bom Jardim da Serra, a temperatura caiu 10 graus e uma forte neblina tomou conta da estrada e fazendo com que fosse necessário rodar devagar por conta da visibilidade de poucos metros. Na chegada ao mirante do Rio do Rastro, o previsível aconteceu e a serra estava completamente escondida, o que torna a descida mais delicada por conta da névoa branca que toma conta de tudo e impede até mesmo que se enxergue o cânion e os veículos mais à frente, além de um fluxo constante de água em várias partes da SC-390.

No pé da serra a chuva me alcançou e foi comigo até Porto Alegre, mas intercalada com períodos de sol não foi suficiente para me obrigar a colocar a capa de chuva. No final das contas, depois de rodar por essas duas serras no mesmo dia, a chuva só lavou por fora para acompanhar a alma lavada.

 

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